sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Seja Parte da Solução


“Meu nome é suicídio. Eu sou o resultado de um ponto culminante da dominação de sentimentos de inutilidade e depressão. Eu vou entrar sorrateira e lentamente em sua vida sem que ninguém me veja. Vou devorar sua alma lentamente, tirando sua vontade de viver. Eu vou te arrastar para as profundezas de uma escuridão que somente poucos vão saber ou entender. Eu vou fazer você esquecer tudo de bom que a vida tem para oferecer e mostrar só o desespero. Eu vou pegar você em seu momento mais frágil e, em seguida, atacar, te convencendo que só é possível uma resposta para sua dor inimaginável: a morte.
 Aqueles que poderiam ter ajudado irão confirmar com a sua morte o que erroneamente pensavam sobre você na vida ... que você era fraca e egoísta. 
Se o mundo descobrisse que eu não sou uma escolha a ser feita, que com amor, empatia e apoio é possível intervir na minha busca por destruição, você poderia ter sido salva e eu perderia o meu domínio sobre os emocionalmente indefesos.”

 Esteja lá para ouvir, apoiar e amar aqueles que são portadores de uma doença emocional / mental. Eles não estão apenas passando por um dia "ruim". Depressão crônica pode ser uma doença debilitante e com um resultado devastador. Se você ama alguém com uma doença mental, reserve um tempo para aprender sobre essa doença e dê o seu apoio, da mesma forma como você faria se ele tivesse diabetes ou câncer. A doença mental é real, e é tratável. Aprenda sobre o suicídio. Saiba sobre os sinais de aviso de suicídio e não tenha medo de intervir e ajudar. Seja parte da solução. Você pode salvar uma vida.



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.


Texto original de Diana Lee Elliott-Condon compartilhado na página de Suicide Shatters
Tradução livre e adaptada


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Uma Advertência aos Evangélicos

Erro N º 40 - Deixar de advertir as famílias que pertencem a certas congregações religiosas e cometem o erro de considerar os pensamentos suicidas como um sintoma de possessão demoníaca ou satânica, o que pode retardar ou impedir o sujeito o acesso adequado aos serviços de saúde mental para receber o tratamento especializado; por isso é uma responsabilidade dos pastores e padres aumentar sua própria cultura sobre o tema do suicídio e a dos seus fiéis, para que aqueles que possam estar em risco de cometer suicídio recebam ajuda médica pertinente e optem por uma cultura de vida, não de morte.

(O Dr. Sérgio Perez é Fundador do Departamento de Suicidologia da Associação Mundial de Psiquiatria e da Rede Mundial de Suicidologia. Autor de mais de 100 artigos e 15 livros sobre o comportamento suicida, publicado em vários países. Dentre suas obras, em parceria com o Dr. Humberto Corrêa, publicou em português o livro Suicídio: Uma Morte Evitável, pela Editora Atheneu)


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.




sábado, 20 de agosto de 2016

Mitos e Verdades





Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.




As 3 Lições de Vida dos 3 Anos Após a Minha Tentativa de Suicídio


O dia 25 de junho é uma data muito importante na minha recuperação. No entanto, retornando à 2013, lembro que esse dia começou como qualquer outro dia. Eu sabia que as coisas não andavam bem. Eu vivia isolada dos meus amigos e familiares, envolvida em um relacionamento abusivo...  As coisas estavam acontecendo e se agravando. Cada erro que eu havia cometido estava vindo à superfície. Eu parei de ter esperança. Eu tinha me doado demais àquele relacionamento, mais e mais a cada dia.
E então aconteceu. Eu tentei acabar com a minha vida.
Aconteceu rápido. Meu cérebro ficou meio que desligado. E a única coisa que eu tenho lembrança é que eu estava no hospital, na ala psiquiátrica, querendo voltar para casa.
Quando eu recebi alta percebi que algo tinha mudado. Após a minha tentativa, eu descobri que meu namorado abusivo e eu tínhamos brigado. Eu não estava muito lúcida quando tudo aconteceu. Eu fui presa e enviada para um hospital. Ele me deixou. No grande esquema das coisas considero que foi uma bênção, porque ele era um ser humano horrível, e ele ter se afastado (e, em seguida, ter voltado até que eu finalmente disse que já era o suficiente) foi o início do fim do "nós". E eu não podia mais sequer imaginar continuar com aquela relação, vivendo assustada e sendo agredida fisicamente, todos os dias. Mas é claro que, em seguida, a separação fez a minha depressão piorar. Eu não conseguia enxergar a minha vida dali para frente.
Agora avancemos para 2016. Eu estou muito bem casada e com um filho. Minha carreira de escritora está começando a decolar. Eu estou fazendo as coisas que eu amo fazer. Tenho um grupo de amigos incríveis. Eu estou hoje o mais próximo que eu já estive da minha família e, apesar de alguns dias ser mais escuros do que outros, e eu às vezes ainda tenho pensamentos suicidas, consigo enxergar a esperança no final de cada dia, e – acho que isso é muito importante – não tenho medo de procurar ajuda quando preciso. E eu tenho um grande orgulho de dizer que não fiz mais nenhuma tentativa nesses últimos três anos. Então, gostaria de compartilhar com vocês as três lições de vida que aprendi em meus três anos de sobriedade de uma tentativa de suicídio.
1. Você não é uma aberração por passar por uma tentativa de suicídio. Você é uma sobrevivente. 
A conversão interna após uma tentativa de suicídio é dura e sem amor. De início, você será muito cruel consigo mesma. Seu primeiro pensamento será: você falhou. E seu pensamento seguinte será que você está envergonhada. Você vai ficar com medo de que alguém descubra o que você fez. Sobreviver a uma tentativa de suicídio é a única falha cometida nessa vida para a qual você deve se sentir grata. Veja! Você ainda está aqui, você ainda está viva. Alegre-se! E não tenha vergonha. Nossa mente pode nos levar a lugares escuros. Você é humana. E se você é como eu, e tem uma doença mental, você é uma lutadora; é muito normal que você perca algumas batalhas, e algumas derrotas são piores do que outras. Entretanto, encontre forças em seu "fracasso" e suba novamente.
2. Mesmo em seus dias mais escuros, você tem que encontrar uma coisa boa.
Mesmo que seja ver um vídeo bonito sobre um gato ou encontrar uma flor bonita ao lado da uma estrada. Encontre uma coisa que seja legal e que você goste de verdade de fazer. Para mim, nada é tão legal e me ajuda a dissipar as coisas escuras em minha cabeça e me faz lembrar de todo o bem no mundo, como uma caminhada ao ar livre. Tenho a sorte de viver numa floresta, enquanto moro em uma "cidade." Saio para explorar. Inspiro os cheiros, ouço os sons. Aterro-me no universo, e deixo a escuridão para trás.
3. Sua vida vale a pena ser vivida e você merece o amor.
Ninguém merece morrer prematuramente. Você merece experimentar a felicidade. Você merece respirar. Você é querida, mesmo que você não saiba; e você é amada, mesmo quando você não sinta que seja. Mas, mesmo que você realmente não acredite no que eu estou dizendo, eu sei e eu quero que você esteja aqui. Estou torcendo pela sua recuperação. Eu serei a sua líder de torcida.
Você pode fazer isso! Seja forte, seja guerreira.



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Texto original: 3 Life Lessons From 3 Years After My Last Suicide Attempt by Taylor Jones 
Tradução livre e adaptada





A PONTE - DOCUMENTÁRIO


A ponte Golden Gate, que corta a baía de São Francisco, é um grande ponto turístico americano. Mas é também o lugar do mundo com o maior índice de suicídios. O diretor registrou diariamente, em 2004, a rotina sinistra do cartão-postal. Além do movimento de carros, pedestres e turistas, ele flagrou mais de 20 suicídios. No filme ele flagra pessoas subindo no parapeito da ponte e se atirando. Além de filmar o ato, o diretor foi atrás de depoimentos de familiares e amigos dos suicidas para tentar entender os motivos de tal atitude.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Eles são Barbeiros Engajados na Prevenção do Suicídio


 Imagine a próxima vez que você for a barbearia para um corte de cabelo e o barbeiro puxar assunto sobre como anda sua saúde mental e esperar ouvir, de sua parte, uma resposta honesta. Um grupo de barbeiros da Irlanda, Reino Unido e Holanda – conhecidos como Lions Barber Collective – consideram sinceramente prevenir o suicídio, levando adiante essa ideia de falar abertamente com os seus clientes sobre saúde mental.
"Acredito firmemente que, ao falar sobre estes assuntos de forma mais aberta, vamos trabalhar no sentido de destruir o estigma em torno do suicídio e da doença mental", disse Tom Chapman, fundador do grupo. "A barbearia é um ótimo lugar para isso, porque de um modo geral temos um ótimo relacionamento com nossos clientes e estabelecemos com eles uma relação de confiança e intimidade."
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os homens são mais difíceis de ser diagnosticados com depressão e são menos propensos a procurar ajuda para problemas relacionados com a saúde mental. Os homens são 3,5 vezes mais propensos a morrer por suicídio do que as mulheres.
A ideia de conversar sobre suicídio e saúde mental na Barbearia veio em 2015, a partir de um comentário no Facebook. Chapman estava tentando montar um livro que apresentasse o trabalho de barbeiros do Reino Unido e Irlanda, com a intenção de que parte dos rendimentos pela venda da obra fosse doado para a caridade. Ele postou no grupo New World Barbers Facebook pedindo recomendações de caridade, quando um membro sugeriu doar o dinheiro a um grupo de prevenção do suicídio – um problema que havia chegado bem perto de Chapman.
"Eu havia perdido um amigo por suicídio apenas há um ano e, na época, eu não possuía qualquer conhecimento sobre a existência de organizações de prevenção do suicídio”, disse Chapman. "Eu também não tinha ideia do que ele estava passando, do porque estava se sentindo assim... e eu tinha estado com ele poucos dias antes do ocorrido”. Isso me estimulou e me fez ter várias ideias. ”
Desde a fundação da Collective, Chapman recebeu formação em intervenção em situações de suicídio e ajudou a treinar outros barbeiros em primeiros socorros em saúde mental. "Sinto que há um medo dos homens de mostrarem que sofrem de algum distúrbio mental ou compartilharem suas emoções e sentimentos, pois isso poderia ser visto como sinônimo de fraqueza pessoal. No entanto, penso que a maioria de nós ficaria surpreso com a reação se falássemos mais ", disse Chapman. "Bem-estar mental é tão importante quanto o bem-estar físico."
O Collective também está desenvolvendo seu próprio programa de conscientização sobre saúde mental e suicídio e formação em intervenção em situações de suicídio, chamada Barber Talk. O curso de um dia inteiro vai ajudar barbeiros a reconhecer os sinais de diferentes relacionados aos transtornos mentais, bem como ensiná-los a falar com seus clientes sobre questões de saúde mental e a arte do não-julgamento, a escuta ativa. Os barbeiros também passarão a ter informações sobre as organizações locais e nacionais para que eles possam indicá-las aos clientes que precisem de ajuda adicional.
Estão envolvidos nesse trabalho atualmente barbeiros do Reino Unido, Irlanda e Holanda, mas a intenção é expandir para mais países ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos. Dois novos grupos serão anunciados em 10 de setembro, o primeiro ano de existência do Lions Barber Collective e o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.
Muito bacana, você não acha?

  
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Para mais informações sobre o Lions Barber Collective: visite sua página em http://www.thelionsbarbercollective.com



Tradução livre e adaptada



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Fatores de Risco e Sinais de Alerta


O que leva uma pessoa ao suicídio?
Não há uma causa única para o suicídio. Suicídio na maioria das vezes ocorre quando acontecimentos estressantes na vida de uma pessoa excedem sua capacidade e suas habilidades de enfrentá-los; sendo essa pessoa, em geral, alguém que sofre de uma condição de saúde mental. A depressão é a condição mais comum associada com o suicídio e o que acontece, frequentemente nesse caso, é não ser diagnosticada ou tratada. Condições como problemas de depressão, ansiedade e o uso abusivo de drogas, aumentam o risco de suicídio. No entanto, é importante afirmar que a maioria das pessoas que gerenciam ativamente seus problemas de saúde mental levam normalmente a suas vidas.

Sinais de alerta de suicídio
Algo para se prestar atenção quando existe a preocupação se uma pessoa pode ser suicida é a ocorrência de uma mudança drástica no comportamento ou a presença de comportamentos inteiramente novos. E essa preocupação deve, de verdade, aumentar, se o comportamento novo ou modificado está relacionado a um acontecimento doloroso, a uma perda ou mudanças na vida. A maioria das pessoas que tiram suas vidas apresentam um ou mais sinais de alerta, seja através do que dizem ou do que elas fazem. Preste atenção!

Conversa
Se uma pessoa falar sobre:
  • Estar sendo um fardo para os outros
  • Que está sentindo-se presa
  • Experimentando uma dor insuportável
  • Não tem nenhuma razão para viver
  • Matar-se

Comportamento
Atitudes que podem a chamar a atenção, incluem:
  • Aumento do uso de álcool ou outras drogas
  • Procurando uma maneira de se matar, como a busca on-line por formas ou meios
  • Agir de forma arriscada
  • Deixar de lado atividades costumeiras
  • Isolar-se da família e amigos
  • Dormir exageradamente ou muito pouco
  • Visitar ou chamar as pessoas para despedir-se delas
  • Agir de forma mais tempestuosa ou agressiva

Humor
As pessoas que estão pensando em suicídio muitas vezes exibem um ou mais dos seguintes afetos:
  • Depressão
  • Perda de interesse
  • Raiva
  • Irritabilidade
  • Humilhação
  • Ansiedade

Fatores de Risco de Suicídio
Os fatores de risco são características ou condições mais específicas que quando presentes aumentam a chance de uma pessoa cometer suicídio.
Fatores de Saúde
  • Condições de saúde mental
    • Depressão
    • Bipolaridade
    • Esquizofrenia
    • Transtorno de personalidade borderline ou antissocial
    • Transtorno de conduta
    • Distúrbios psicóticos ou sintomas psicóticos no contexto de qualquer distúrbio
    • Os transtornos de ansiedade
  • Desordens de abuso de drogas
  • Condição e / ou dor aguda ou crônica de saúde
Fatores Ambientais
  • Os eventos estressantes que podem incluir uma morte, divórcio ou perda de emprego
  • Fatores de estresse prolongado que pode incluir assédio, intimidação, problemas de relacionamento, e o desemprego
  • O acesso aos meios letais incluindo armas de fogo e drogas
  • A exposição ao suicídio de outra pessoa ou à noticiário jornalístico sensacionalista de suicídio
Fatores Históricos
  • Anteriores tentativas de suicídio
  • História familiar de tentativa de suicídio


  




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Texto original: Risk Factors and Warning Signs





Texto livremente traduzido e adaptado



domingo, 14 de agosto de 2016

Carta Para Meu Futuro Eu Recuperada da Automutilação


Prezada Eu Recuperada,
Se você está lendo isto é porque nós fizemos essa recuperação acontecer. Eu quis que fosse você escrevendo esta carta para mim para me dar a certeza de que farei isso - e alguns conselhos, se você puder. Eu acho que eu não tenho que lhe dizer como é difícil, mas vou recuperá-la de qualquer maneira.
Tenho dias em que é muito difícil manter minha mente longe da dor. Eu penso em voltar para os velhos hábitos dos cortes, que nos ferem tanto. Eu tento me projetar em você, mas você recuperada parece ainda algo muito obscuro e quase inacessível. Eu imagino que você está lendo esta carta agora e pensa quão tola eu sou (não ria, lembre-se que eu sou você); e isso é bom, porque você vai dizer que eu estava errada e não havia necessidade de me torturar todas as noites com os meus pensamentos.
Estou tentando imaginar como você (eu) estará no futuro.... Você ainda tem as cicatrizes? Será que elas fazem você triste ou te tornaram mais forte? Você está finalmente feliz ou você desistiu da vida? Eu tenho um monte de perguntas.
De verdade, eu penso em você, no futuro, como uma pessoa forte, agora que você está recuperada e atravessou esse inferno de emoções e pensamentos negativos, de cortes e dores. Realmente não importa se você tem as cicatrizes; elas vão ser como medalhas no peito de um soldado. Eu quero e preciso acreditar que você conquistou a batalha contra a automutilação, que você foi e é capaz de fazer coisas incríveis em sua vida; porque não há nenhuma batalha mais difícil que eu tenha conhecido do que esta de lutar contra uma doença invisível que mata lentamente. 
 Eu só quero pedir-lhe mais uma coisa. Nunca esqueça a dor que eu estou sentindo agora. Não se debruce mais nela, mas mantenha o seu coração sensível à dor dos outros. Eu quero que você deixe vestígios de esperança por onde você for – esperança de que podemos iluminar essa escuridão que estamos a atravessar. Quero olhar para você e conhecê-la um dia, não tão longe no futuro, e ter orgulho de você, não só porque você fez isso, mas porque você ajudou outros também. E o mais importante, eu quero que sejamos a mesma pessoa: recuperada, compreensiva e mais forte do que nunca.
Obrigado por me inspirar a me manter em movimento.
Ame,
Eu


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.

Texto original: A Letter to Future Me, Who Will Have Recovered From Self-Harm, by Sandy Borrás

Texto livremente traduzido e adaptado