quinta-feira, 23 de junho de 2016

Como Parar de Pensar em Suicídio


Quando o desespero, isolamento e dor parecem muito grandes para suportar, o suicídio pode parecer a única forma de se libertar. Pode ser difícil de ver, mas há opções para lhe trazer alívio e mantê-lo vivo para voltar a sentir alegria, amor e liberdade novamente. Ao manter-se seguro e criando um plano para enfrentar e explorar as razões por que isso está acontecendo, você pode tomar medidas para se sentir melhor. Continue lendo este artigo para parar de pensar em suicídio.

Método 1: Mantenha-se em Segurança
1.  Dê tempo para si mesmo. Faça uma promessa a si mesmo que você não irá cometer suicídio por pelo menos 48 horas. Por mais difícil que possa parecer, adie seus planos por 2 dias para poder descansar e pensar sobre as coisas. Nesse momento o suicídio pode parecer a única opção, mas as circunstâncias podem mudar rapidamente. Você pode encontrar mais alguma coisa que possa lhe trazer alívio durante esses 2 dias.
·         Tente ver suas emoções e ações de formas separadas. A dor pode ser tão grande que distorce seus pensamentos e comportamento. Mas pensar em suicídio não é a mesma coisa que realmente fazê-lo. Você ainda tem o poder de fazer uma escolha contra o suicídio.
·         Talvez não consiga ver as coisas de outra forma, mas você pode prever o que acontecerá amanhã. Deve ter outras opções que você não consegue ver claramente por causa da dor que está sentindo. Amanhã sua mente poderá estar um pouco mais leve e você talvez possa ser capaz de encontrar uma boa razão para viver.
·         Pensamentos suicidas são muitas vezes causados por situações que podem mudar. Não importa o quão preso possa estar se sentindo, ou o quão impossível às coisas pareçam, as circunstâncias não serão assim para sempre. O suicídio é uma solução permanente para um problema temporário e nas próximas 48 horas a melhor opção pode aparecer.
2. Deixe sua casa segura. Não faça com que seja fácil mudar de ideia. Guarde qualquer coisa que você possa usar para prejudicar a si mesmo, como pílulas, lâminas de barbear, facas e armas de fogo. Dê essas coisas para alguém guardar, jogue-as fora ou coloque-as em um lugar que não seja de fácil acesso.
·         Também deixe de lado o álcool e as drogas. Os produtos químicos das drogas e do álcool afetam o cérebro, fazendo com que seja mais difícil pensar claramente. Não os use, para permitir que sua mente tenha tempo para descansar e você pensar com mais clareza.
·         Se você não acha que está seguro em sua própria casa, vá para algum lugar onde se sinta seguro. Fique na casa de um amigo, vá para a casa de seus pais, a um centro comunitário ou outro lugar público onde possa ficar.
3. Não tente lidar com isso sozinho. Uma das melhores maneiras de aliviar um pouco do estresse e da dor que se acumulou dentro de você é se abrindo com alguém. Chame alguém de confiança e fale durante o tempo que precisar. Se quiser, peça a essa pessoa para vir ficar com você até que esteja preparado para ficar sozinho novamente. Fale o quanto quiser sobre como está se sentindo, não tente guardar nada. Você também pode procurar por sites especializados que podem lhe ajudar. Aqui estão algumas opções:
·         Ligue para o telefone do CVV: 141
·         Considere procurar por um psicólogo ou um psiquiatra
4. Obtenha ajuda de emergência caso queira ir até o fim. Se conversar e dar um tempo a si mesmo não funcionar e você ainda estiver pensando em cometer suicídio, consiga ajuda de emergência imediatamente. Peça a alguém para levá-lo ao hospital ou vá sozinho. Você receberá tratamento e ficará em um lugar seguro até não poder prejudicar a si mesmo.
    • Se já tiver tomado algo, ligue ou peça para alguém ligar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU (pronto-socorro) - 192 imediatamente ou para o Corpo de Bombeiros - 193. Peça para vir ajudá-lo. Não se sinta envergonhado de fazer isso, pois sua vida está em perigo e você precisa de ajuda.
5. Perceba que as pessoas passam por isso. Quando estiver passando por uma crise e você não conseguir parar de pensar em suicídio, lembre-se que você nem sempre se sentiu assim e não se sentirá assim para sempre. Muitas pessoas já se sentiram tão mal quanto você e viveram para contar a história. Muitas pessoas já tiveram pensamentos suicidas e encontraram maneiras de lidar com elas. Você pode conseguir isso também.

Método 2: Encontre Maneiras de Lidar Com Isso
1. Não se critique por ter pensamentos suicidas. A culpa por ter esses pensamentos não é sua. Não há nada para se envergonhar ou se sentir culpado, e isso não faz de você uma pessoa ruim ou fraca. Você provavelmente está carregando um fardo muito maior do que a maioria das pessoas está carregando e, para que possa se sentir melhor, você precisa ser gentil consigo mesmo. Se culpar e sentir vergonha são sentimentos negativos que complicam ainda mais a situação fazendo com que seja muito mais difícil de encontrar uma maneira segura de se livrar deles.
·         Tente pensar em si mesmo como outra pessoa, alguém que você ama. Se alguém muito querido estivesse com pensamentos suicidas, como você o trataria? Você o trataria com bondade e preocupação. Você faria qualquer coisa para impedi-la de cometer suicídio. Mas nesse caso você é a pessoa que precisa de ajuda e merece ser tratado com o mesmo carinho e amor que daria a alguém.
·         Existem alguns mitos sobre o suicídio que podem deixar as pessoas com pensamentos suicidas se sentindo pior ainda. É um mito que o sentimento suicida é egoísta e que as pessoas que cometem suicídio fazem isso sem se preocupar com as outras pessoas. Conhecer esses mitos e saber separá-los da realidade pode ajudá-lo a ser mais gentil consigo mesmo quando estiver se sentindo assim.
2. Passe tempo com pessoas que não sejam críticas. Sua rede de apoio é muito importante quando se está lidando com pensamentos suicidas. Você precisa de pessoas que podem ouvi-lo sem julgá-lo e que não tentarão dar conselhos que possam magoar mais do que ajudar. Pessoas bem-intencionadas muitas vezes dizem coisas como 'isso não é uma boa razão para ser suicida' ou 'sua vida é boa por que você está tão triste?'. Ouvir esse tipo de coisa pode fazer você se sentir culpado por ter esses pensamentos e isso é a última coisa de que precisa. É importante ter pessoas com quem você pode contar e que entendam que ser suicida não funciona dessa maneira - não é algo que você possa simplesmente desligar.
·         Às vezes é mais difícil falar com pessoas mais chegadas do que falar com um psicólogo. Você pode não querer preocupar sua família ou talvez ache que eles não conseguirão entender pelo que está passando. Psicólogos que tenham experiência em trabalhar com pessoas suicidas podem ajudar você a encontrar ferramentas para lidar com esses pensamentos, sem julgá-lo ou adicionar mais sentimentos negativos aos já existentes.
3. Pense no que você ama. Faça uma lista de tudo que o enche sua vida de bons sentimentos ou algo que associe com bondade e amor. Anote tudo que o ajudar a se lembrar por que você queria viver antes de se sentir suicida. Escreva os nomes das pessoas que ama, seus filmes, livros e música favoritos, assim como seus lugares, alimentos e experiências mais amados.
·         Também escreva o que ama sobre si mesmo. Anote as coisas de que se sente orgulhoso, como realizações, elogios que recebeu e traços favoritos de sua personalidade.
·         Escreva as coisas que deseja fazer no futuro. Anote os planos que você fez, experiências que sempre quis ter, pessoas que deseja conhecer melhor, lugares que quer visitar.
4. Faça uma lista de boas diversões. Outra coisa que ajuda as pessoas que se sentem suicida é ter diversões que ajudem a dar à mente um descanso. Existe algo que fez no passado para se sentir melhor? Qualquer coisa que dê alívio a sua dor e ajude a remover os pensamentos de suicídio é uma boa diversão. Aqui estão algumas coisas que ajudaram outras pessoas:
·         Chamar um amigo para conversar
·         Comer sua refeição preferida
·         Passar tempo com seu animal de estimação
·         Escrever, pintar ou fazer música
·         Ir ao cinema
·         Assistir uma maratona de seu programa de TV favorito
·         Comer uma sobremesa deliciosa
·         Fazer uma viagem com os amigos
·         Fazer uma longa caminhada ou corrida
·         Passar tempo na natureza
·         Jogos videogame
·         Ser voluntário na comunidade
·         Assistir vídeos engraçados na internet
5. Escreva os nomes das pessoas que você pode chamar. É bom ter uma lista de nomes e números de telefone das pessoas que terão tempo para falar com você sempre que puderem. Escreva o nome das pessoas que ama e confia. Anote pelo menos 5 ou mais nomes, pois se alguém não puder falar, você poderá ligar para outra pessoa.
·         Inclua o nome e número de seu psicólogo e psiquiatra, caso se sinta confortável para ligar para eles.
6. Faça um plano de segurança para eliminar os pensamentos suicidas quando eles aparecerem. Este é um plano personalizado que você pode usar para parar de pensar em suicídio quando seus pensamentos forem demais para suportar. Quando se tem pensamentos suicidas, é difícil tomar decisões ou ter ideias, mas se você tiver um plano de segurança, tudo que precisará fazer é segui-lo. Complete todos os itens da lista até se sentir seguro novamente. Aqui está um exemplo de plano de segurança:
·         1. Ler a lista de coisas que ama. Lembre-se de coisas que ajudaram a acabar com os pensamentos de suicídio no passado.
·         2. Ler a lista de boas diversões. Tente fazer coisas que o fizeram se esquecer dos pensamentos suicidas antes.
·         3. Ligar para alguém da lista de pessoas que você pode chamar. Continue ligando até encontrar alguém da lista que pode conversar com você pelo tempo que precisar.
·         4. Adiar meu plano por 48 horas e deixar minha casa segura. Prometa não cometer suicídio sem antes pensar em todas as outras opções.
·         5. Pedir para alguém vir ficar comigo. Se ninguém puder vir, vá para algum lugar onde se sinta seguro.
·         6. Ir para o hospital. Dirija-se você mesmo ou peça para alguém levá-lo.
·         7. Ligar para o CVV: 141.


Método 3: Encontre a Raiz do Problema
1. Pense sobre por que isso está acontecendo. Quando estiver em um estado mental mais calmo e seguro, reflita por que isso está acontecendo com você. É algo que aconteceu antes ou é a primeira vez? Os pensamentos suicidas podem ser causados por muitas coisas diferentes e é muito importante encontrar a raiz do problema para que você possa ver a sua situação de forma objetiva, tomando o caminho certo para acabar com esses pensamentos.
·         Depressão, esquizofrenia, bipolaridade, transtorno de estresse pós-traumático e outras condições mentais muitas vezes levam a pensamentos suicidas. Estas condições geralmente podem ser tratadas com terapia e medicação. Se você tiver uma condição mental que está fazendo com que se sinta suicida, consulte um profissional e comece a explorar as opções de tratamento.
·         Pessoas que tiveram certas experiências muito dolorosas na vida são mais propensas a terem sentimentos suicidas. Se você já sofreu assédio moral, abuso sexual, pobreza, desemprego, doença grave, ou uma perda afetiva, é importante obter o apoio de pessoas que já passaram por isso e entendem pelo que está passando. Procure organizações e grupos de apoio que podem fornecer recursos para ajudar a mudar a sua situação.
·         Certas circunstâncias podem fazer com que você se sinta impotente, isolado ou desgastado mental e fisicamente - sentimentos que muitas vezes levam a pensamentos suicidas. Você pode se sentir como se já cometeu muitos erros ou que pessoas demais já o magoaram e que você não quer mais viver. Mas, apesar de ser impossível ver isso agora, essas circunstâncias são temporárias. As coisas vão mudar e a vida vai ficar melhor novamente.
·         Se não souber por que está se sentindo suicida, é importante procurar um profissional para descobrir o que está acontecendo. Você será mais capaz de lidar com esses pensamentos se eles voltarem.
2. Identifique o que os desencadeiam. Às vezes, pensamentos suicidas aparecem por causa de certas pessoas, lugares ou experiências. Nem sempre é fácil descobri-lo. Reflita e veja se reconhece padrões que podem dar pistas do motivo desses pensamentos. Aqui estão alguns exemplos de coisas que podem desencadeá-las:
·         Drogas e álcool. Os produtos químicos nas drogas e álcool podem fazer pensamentos e sentimentos depressivos virarem suicidas.
·         Pessoas abusivas. Passar algum tempo em volta de uma pessoa que seja fisicamente ou emocionalmente abusivo pode provocar pensamentos suicidas.
·         Livros, filmes ou música tristes. Para algumas pessoas, assistir filmes, ler livros e ouvir músicas tristes podem ser extremamente negativos.
3. Saiba como lidar se você ouvir vozes. Algumas pessoas ouvem vozes que dizem como elas devem se comportar de uma determinada maneira. Essa situação é considerada um sintoma de doença mental, sendo tratada com medicamentos, mas isso não funciona para todo mundo. Se você ouvir vozes dizendo-lhe para se machucar, é importante procurar ajuda imediata. Depois que essas vozes se acalmarem um pouco, explore formas de compreendê-las melhor para saber como lidar com elas no futuro.
4. Consiga a ajuda que precisa. Não importa por que você está tendo pensamentos suicidas, tomar medidas para obter algum tipo de ajuda é a única maneira de fazê-los parar. Ter um plano de ação para lidar com o problema e criar um trabalho de longo prazo para entender seus sentimentos e alterar essa situação pode ajudá-lo a se sentir melhor novamente. Por isso, procure a ajuda profissional de um psicólogo e um psiquiatra.
·        Descobrir um plano de tratamento nem sempre é fácil. Você precisará encontrar um psicólogo que tenha uma abordagem que funcione para você. Também é possível optar por uma medicação ou uma combinação de medicamentos e psicoterapia para resolver o problema. Não tem problema caso não obtenha resultados imediatos, o importante é continuar tentando. Continue usando seu plano de segurança toda vez que precisar e trabalhe duro para se sentir melhor.
·         É importante saber que você, talvez, nunca estará totalmente seguro quanto a não ter mais pensamentos suicidas. Para algumas pessoas eles desaparecem por completo, para outros esses pensamentos vêm e vão ao longo da vida. Mas é possível aprender a lidar com eles para poder viver uma vida feliz e saudável.



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.


Texto livremente traduzido e adaptado para a nossa realidade.



domingo, 19 de junho de 2016

A Diferença Entre Querer Morrer e Querer Que a Dor Pare


Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse: a dor que rodeava e apertava meu peito, o peso que envolveu meu cérebro na sombra, a agonia que transformou todo o mundo em escuridão.
Eu precisava disso para cessar a dor.
Não foi um grande trauma que me convenceu que a morte era a minha única opção, mas uma série interminável de pequenas dores que roubaram a minha esperança. A pressão da vida quotidiana tornou-se um assalto implacável: uma mão pesada sobre meu ombro que me esmagava.
Uma manhã eu tive uma discussão menor com meu marido e, como diz o  provérbio sobre colocar mais lenha na fogueira, essa discussão me deixou em pedaços.
E então eu decidi que tinha apenas uma escolha que fazia algum sentido. Senti que todo mundo estaria melhor sem mim.
Eu fiz um plano. Eu escrevi cartas para a minha família. Chorando, telefonei para o meu amado irmão para dizer adeus.
Entretanto, levou poucos momentos para ele compreender o que eu estava fazendo e, em seguida, rapidamente, ele entrou em ação. Ele me cortou, desligou na minha cara e chamou meu marido imediatamente.
Meu marido correu de seu prédio de escritórios e, frenético, me procurou usando um aplicativo em seu telefone. Ele chamou um policial. Chamou a ambulância. Levou-me para o hospital.
Deram-me uma bebida lamacenta em um copo de papel enquanto eu estava deitada na maca, e eu chorei.
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
A escuridão que eu tinha mergulhado era muito espessa. Eu não conseguia mais enxergar meus filhos. Eu não conseguia mais enxergar a vida que eu tinha construído com o homem que eu havia escolhido 25 anos atrás. Eu não podia enxergar minha família, os irmãos que me conheciam desde o nascimento, os pais que me apoiaram desde antes que eu pudesse lembrar. Eu não podia enxergar meus amigos, que teriam ficado extremamente entristecido comigo se eu tivesse de deixá-los.
Eu não podia ver o amor.
Havia amor em volta de mim, mas esse amor foi empurrado pela escuridão, com força despejado de minha consciência pelo preto sufocante.
No hospital psiquiátrico, eu estava cercada por pessoas cujas experiências foram muito parecidas com o minha. Ouvi histórias familiares. Eu aprendi novas formas de lidar com a minha dor. Percebi que tinha opções. Mais importante, porém, vi que não estava sozinha.
Eu tenho ajuda.
Eu tenho um bom diagnóstico e fui colocada sob medicação que funcionou como um raio de luz no meu cansado cérebro, confuso. Isso não aconteceu da noite para o dia. Levou algum tempo para encontrar as doses certas e as prescrições corretas, mas eu perseverei. Eu mantive firmemente a esperança de que o antídoto certo para a escuridão poderia ser encontrado.
Eu não quero morrer.
Eu só queria que a dor parasse.
E ela parou.
Lenta, mas seguramente, com a terapia e o tempo, a dor parou.
Estou aqui hoje para lutar junto com você: Não desista.
Há uma razão para que você esteja lendo isso agora, neste exato momento no tempo. Esta é uma mensagem que você precisa ouvir. Você não está sozinha. O próprio mundo anseia para você ficar, anseia para você permanecer. A Terra está chamando. Ouça! Lá está, no calor dos raios do sol em cima de seu rosto virado para cima, na brisa fresca que acaricia sua pele, no canto de um pássaro, a maravilha de folhas e flores. A mensagem está lá para ouvir. A Terra está implorando para você não desistir.
Para toda escuridão há um facho de luz pelo qual é possível andar, basta apenas que os olhos sejam liberados do desespero.
Buscar. Falar com alguém. Há amor lá fora; há amor ao seu redor. Só porque você não pode sentir isso agora não significa que ele se foi. Não acredite na escuridão. Ele é uma mentirosa e uma ladra.
Estou feliz por estar aqui hoje.
A chuva cai e o sol brilha. Posso ver meus filhos rirem e chorarem e lutar e crescer. Meus pais estão agradecidos. Meu marido é cuidadoso. Meus irmãos me apoiam. Meus amigos me querem bem. Todo dia eu vejo o amor que eu não podia ver antes.
Eu acreditava nas mentiras que a escuridão me falou, e eu tentei tirar minha vida.
As vezes a vida ainda é uma luta. As vezes o amor parece desaparecer e parece estar longe. Há dias em que eu acordo desanimada e me sinto derrotada. Tem dias que eu ainda quero deixar este mundo (e todas as suas tribulações) para trás. Mas eu continuo colocando um pé na frente do outro, e eu agarro a esperança. Eu falo com os que me rodeiam. Eu tenho um boa noite de sono. Um novo dia amanhece. Eu me sinto melhor.
Eu não tinha que morrer para que a dor parasse.
Você também não tem que querer. 


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, por favor, ligue para o telefone do CVV 141 e procure ajuda especializada.
Texto original: The Difference Between Wanting to Die and Wanting the Pain to Stop / By Jennifer Wilson
 Texto livremente traduzido e adaptado.



sexta-feira, 17 de junho de 2016

"Confissões Suicidas"


POR CAMILA APPEL
http://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/2016/06/16/confissoes-suicidas/?cmpid=opinassinanteuol

“Enfim, escrevo não apenas como um desabafo, mas na busca de sensibilizar pessoas, pois quem é acometido ou até nutre pensamentos e hábitos suicidas muitas vezes não transparece isso. Por isso, venho apelar para a generosidade das pessoas” (…) “Ouça, busque compreender e jamais julgue, pois só o frio escuro da madrugada conhece a amargura que um ser humano pode estar enfrentando calado, posando de feliz para não agravar ainda mais sua própria situação”.  – Frases do leitor Lucio Fermi, em depoimento enviado ao blog (reproduzido na íntegra, abaixo).

O suicídio pode ser visto como um problema filosófico, e para Albert Camus (1913-1960) é o mais importante de todos: “ julgar se a vida vale ou não a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia”. Se matar seria uma espécie de confissão: “confessar que fomos superados pela vida ou que não a entendemos”, ou “confessar que isto não vale a pena. Viver, naturalmente, nunca é fácil. Continuamos fazendo os gestos que a existência impõe por muitos motivos, o primeiro dos quais é o costume. Morrer por vontade própria supõe que se reconheceu, mesmo instintivamente, o caráter ridículo desse costume, a ausência de qualquer motivo profundo para viver, o caráter insensato da agitação cotidiana e a inutilidade do sofrimento”. O filósofo não acredita que o suicídio seja uma saída, mas vê essa reflexão como necessária. O perigo seria não refletir a respeito.
Segue o depoimento enviado pelo contador Lucio Fermi.

“Confissões suicidas
Por Lucio Fermi
Diariamente sou tomado por pensamentos em acabar com minha própria vida. Às vezes, a fúria é tanta que se volta a toda a raça humana ou até mesmo à existência como um todo. Felizmente, hoje em dia, sei que esse impulso é controlável, que se trata de uma infantilidade da minha mente e aprendi a superar esse anseio tolo. Porém, como diria Nietzsche, ele me ajuda a suportar longas noites de desespero diante de um mundo tão nefasto e cheio de sofrimento.

Tudo começou com um misto de herança, talvez genética, mas mais familiar mesmo, já que tanto meu pai como minha mãe – talvez até minha avó que conviveu muito comigo – tinham depressão e o pensamento suicida se manifestava muito neles. Em meu pai, creio que de forma bem consciente, pois me lembro com uns 8 anos de idade de me deparar na biblioteca de casa com um livro chamado “Manual do Suicida”, com o Homem Vitruviano de Da Vinci de ponta-cabeça na capa. Não me recordo o autor, mas o livro continha os prós e contras de diversos métodos de suicídio. Nessa época eu já sofria um horrível bullying por ser terrivelmente magro e usar óculos. Não, as provocações de coleguinhas que me colocavam como um doente terminal nem eram as que mais me afetavam, mas o firme rechaço das meninas pelas quais eu me interessava.

Com uns 11 anos de idade, apenas porque eu morava num prédio bom e bonito, comecei a sofrer provocações de grupos de garotos que moravam em casas mais humildes e que, anos mais tarde, até conviveriam comigo – por meio de amigos em comum – com certa dose de pacifismo. Essas hostilidades vinham do fato de eu ser e parecer nerd e por apenas parecer estar em melhor situação financeira que esses garotos. Nesses anos posteriores, alguns destes garotos tomaram rumos de criminalidade e, certa vez, chegaram a me perseguir para me surrar. Só fui salvo porque o cara mais temido do bairro me respeitava, já que eu sempre o cumprimentava quando andava pela rua e demonstrava um carinho por ele sem qualquer interesse, apenas por felicidade.

Lá pelos 14 anos, fui tomado de uma revolta enorme e busquei consolo nas drogas e no ocultismo, paixões que perdurariam por dois terços da minha vida e que, de modo paradoxal, ajudaram a me libertar desse impulso suicida. Tendo escolhido um caminho um tanto na contramão do que deveria, acabei apenas reforçando minha magreza, um modo de vestir que nunca colaborou para demonstrar beleza, aumentando cada vez mais minha timidez e meu insucesso conjugal.
De todo modo, a autodestruição nunca passou do uso de drogas e um comportamento um tanto desleixado comigo mesmo. Acabei desenvolvendo uma toxicomania que me levou a experimentar de tudo, mas meus maiores vícios acabaram sendo as lícitas, tabaco e álcool. Das ilícitas, criei apreço maior pela maconha, mas atualmente, considero-me controlado, já que nenhuma destas 3 eu consumo mais do que algumas vezes por mês e, geralmente, sem precisar apelar ao tráfico (no caso da maconha). Porém, em épocas não muito distantes, tendo um acesso fortuito a opióides e opiáceos industriais, cheguei a ter uma leve overdose, gerenciada em casa mesmo, já que desde pequeno não apenas consumia drogas, mas também estudava farmacologia e primeiros socorros, o que me tirou de muita enrascada ou evitou de entrar nelas.

O único episódio em que tentei algo de pior foi quando eu tinha 22 anos, justamente numa balada da faculdade em que eu estava tentando parar de fumar maconha, mas onde havia vodca à vontade. Após inúmeras tentativas de me aproximar de mulheres, sendo rechaçado às vezes com grande nojo e humilhação, sumi na “natureza selvagem” e só fui encontrado porque meu melhor amigo sabia exatamente onde eu poderia estar, ajudado por conta da localização do meu carro, que eu havia abandonado aberto e, por sorte, tinha sido encontrado pela polícia.

Enfim, escrevo não apenas como um desabafo, mas na busca de sensibilizar pessoas, pois quem é acometido ou até nutre pensamentos e hábitos suicidas muitas vezes não transparece isso. Por isso, venho apelar para a generosidade das pessoas. Talvez se eu tivesse me sentido mais amado pelas garotas, eu teria atenuado isso antes e de modo mais fácil. Talvez se as pessoas ao meu redor estivessem mais preocupadas comigo e não com que eu me amoldasse a padrões que não tornavam nem mesmo elas felizes, eu tivesse aprendido a me respeitar mais. De toda maneira, não culpo ninguém, nem a mim mesmo e vejo que por mais que o mundo externo pudesse ter colaborado, é o meu filtro que importa. Com isso, apelo aos suicidas em potencial para que busquem a razão, a lógica e o controle emocional. Afinal, embora eu concorde com que a pessoa se mate em caso de doenças realmente incuráveis nas quais não faz sentido que se prolongue o sofrimento, para todas as outras situações sempre há uma saída.

Não sei dos outros, mas tenho vontade de me matar ou matar o mundo inteiro quando vejo a situação lastimável em que nosso país se encontra ou mesmo em que o planeta todo se encontra, quando vejo que muitas pessoas estão mais preocupadas com valores absurdos do que com o que realmente importa… O pensamento suicida surge como uma saída possível para o desespero financeiro, o desânimo profissional, a apatia sexual e tantas outras mazelas pessoais, como dores crônicas que (ironicamente), a maconha alivia sem causar os efeitos colaterais e o perigo que os opióides provocam. Entretanto, quando lembro das pessoas ao meu redor que ainda gostam de mim ou das coisas boas que ainda posso fazer pelo mundo, vejo o suicídio como um egoísmo descabido, que só vai disseminar mais sofrimento e gerar mais problemas.

Para terminar, registro que o único caminho para sair do estado suicida é a busca pela positividade, com auxílio dos esportes, da arte, do humor e do humanismo em geral, independente de religiões, sempre tomadas de objetivos inescrutáveis que nos colocam em último lugar (claro, há exceções) e de regras que nos colocam em conflito com nossa natureza ambígua. A você que tem a sorte de não ser assolado pelo “fantasma suicida”, peço respeito com quem o seja, pois lhe garanto que ninguém, se pudesse escolher, gostaria de ser rondado por esse “demônio”.

Quem quer ajudar, quer mudar o mundo, comece com seus familiares e amigos, pois tenho certeza que algum deles padece desse mal silencioso, que corrói a mente e pode levar à loucura, à morte e até mesmo ao homicídio em massa. Ouça, busque compreender e jamais julgue, pois só o frio escuro da madrugada conhece a amargura que um ser humano pode estar enfrentando calado, posando de feliz para não agravar ainda mais sua própria situação”.
Contato do Lucio: terion@bol.com.br


terça-feira, 14 de junho de 2016

Japão Proibido: Aokigahara, a floresta dos suicidas


No primeiro vídeo da série do Portal R7, Luiz Cesar Pimentel e Eduardo Enomoto entram em Aokigahara, floresta localizada a 160 km de Tóquio, o segundo lugar no mundo onde mais ocorrem suicídios.

Mitos Sobre o Suicídio e Como Preveni-lo


Pintura de Salvador Dali "Sleep" (1937)

POR CAMILA APPEL
http://mortesemtabu.blogfolha.uol.com.br/2015/01/29/mitos-sobre-o-suicidio-e-como-preveni-lo/

Os dados confirmam: as taxas de suicídio têm crescido no Brasil e no mundo e aparentam seguir essa tendência. Nosso país já é o oitavo no ranking, em números absolutos.
O porquê dessa realidade não é uma discussão fácil. No post “A era dos adictos”, há um caminho para reflexão. Mas com certeza é possível traçar inúmeros outros.
Esse tema vem ganhando espaço e no final do ano passado tivemos a publicação de importantes estudos e cartilhas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou em seu site ser possível prevenir o suicídio e disponibiliza material para consulta nesse link. Entre as “mensagens-chave”  do estudo, está a restrição ao acesso a objetos ou insumos que possam ser usados para tirar a vida, como pesticidas, armas de fogos e certos medicamentos, e a identificação precoce de distúrbios mentais e do abuso prejudicial de álcool e outras drogas.
A cartilha da OMS “Preventing Suicide” (Prevenindo o suicídio), indica alguns mitos sobre o suicídio, listados abaixo em tradução livre.
  • Mito: “Pessoas que falam sobre suicídio não estão falando sério”. Fato: pessoas que falam a respeito estão buscando ajuda e suporte. Um número significativo daqueles que contemplam o suicídio estão experienciando ansiedade, depressão e falta de esperança e podem sentir que não há outra alternativa.
  • Mito: “A maior parte dos suicídios acontece sem aviso prévio”. Fato: a maioria dos suicídios ocorre precedidos de sinais de alertas, sejam verbais ou comportamentais. Claro que alguns ocorrem sem avisos, mas é importante entender quais são os sinais e procurar por eles, como: ter tido uma tentativa prévia de suicídio, distúrbios mentais, perda financeira ou de emprego, dor crônica ou doença, falta de esperança (normalmente acompanhada de distúrbios mentais ou tentativas anteriores de suicídio), histórico familiar, abuso de álcool e outras substâncias, genética e fatores biológicos (como baixos níveis de serotonina, que são associados a pacientes com distúrbios de humor, esquizofrenia e distúrbios de personalidade).
  • Mito: “Alguém que é suicida está determinado a morrer”: Fato: pessoas com tendências suicidas são ambivalentes sobre viver ou morrer e o ato pode ocorrer por impulso. Acesso a apoio emocional na hora certa pode ser determinante para evitá-lo.
  • Mito: “Uma vez suicida, ele ou ela será para sempre um suicida em potencial”. Fato: muitas vezes a vontade de se matar é temporária e específica a uma situação. Pensamentos suicidas podem retornar, mas não são permanentes.
  • Mito: “Só pessoas com distúrbios mentais são suicidas”. Fato: o comportamento suicida indica uma profunda infelicidade, mas não é necessariamente fruto de um distúrbio mental. Muitas pessoas que vivem com doenças mentais não são afetadas por comportamentos suicidas e nem todos que tiram sua própria vida tinham esses tipos de distúrbios.
  • Mito: “Falar sobre suicídio é uma ideia ruim e pode ser interpretado como encorajamento”. Fato: devido ao tabu em torno do tema, muitas pessoas que estão contemplando o suicídio não sabem com quem falar a respeito. Ao invés de encorajar o comportamento, falar abertamente sobre isso pode dar outras opções ou um tempo para repensarem sua decisão, evitando o ato.
Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), junto ao Conselho Federal de Medicina, recentemente lançou a cartilha “Suicídio: informando para prevenir”. Em seu site, mencionam que 17% da população brasileira já pensou, em algum momento, em cometer o suicídio. A cartilha fala sobre como “abordar um paciente, explica de que forma as doenças mentais podem estar relacionadas ao suicídio, os fatores psicossociais e dados atualizados sobre o tema”.
Acreditam que desmistificar o suicídio seja fundamental para quebrar o preconceito que cerca o tema e ajudar a preveni-lo. Como a OMS, também listam alguns mitos. Um mito não mencionado pela OMS é o de que:
  • Mito: “o suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio”. Fato: “suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção de realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante de prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental, o desejo de se matar desaparece”.
A cartilha da ABP indica que para uma prevenção, é necessário procurar fatores de risco, como: eventos adversos na infância e na adolescência, como abuso físico e sexual, histórico familiar e genética. A cartilha diz que “estudos de genética epidemiológica mostram que há componentes genéticos, assim como ambientais envolvidos”. Por exemplo: “O risco de suicídio aumenta entre aqueles que foram casados com alguém que se suicidou”.
A cartilha sugere a psiquiatras como abordar o paciente com desejo suicida e como identificar doenças mentais, como depressão, transtorno bipolar, transtorno relacionado ao uso de álcool e outras substâncias, esquizofrenia e transtorno de personalidade. Também ajuda a avaliar o risco real da pessoa cometer o suicídio.
A publicação americana de neurociência, Nature, lançou o artigo “A base molecular do cérebro suicida” (em tradução livre) analisando que há mudanças no sistema de neurotransmissores, mudanças inflamatórias e disfunção das células de glia no cérebro de quem está prestes a se matar.
O artigo da Nature defende que alguns fatores, como predisposição familiar, assim como adversidades no início da vida, aumentam o risco de suicídio na medida em que alteram as respostas do cérebro ao stress e a outros processos através de mudanças epigenéticas nos genes e na regulação da emoção e do comportamento.
 A “American Foundation for Suicide Prevention” (uma organização americana voltada a prevenção do suicídio) diz que 90% das pessoas que cometem suicídio tem algum distúrbio mental. O mais comum é a depressão grave e outros distúrbios de humor, que podem levar ao suicídio se não forem diagnosticados corretamente ou recebido tratamento adequado. A organização aponta certas condições que podem ser consideradas riscos em potencial e divulga estudos comprovando análises post-mortem indicando diferenças biológicas no cérebro de quem cometeu suicídio.
Segundo essa organização, os sinais de alerta são: A pessoa falar sobre se matar, dizer não ter mais razão para viver, ou achar que é um fardo para os outros e falar sobre uma sensação de se sentir preso e sentir uma dor insuportável. Deve-se prestar atenção em mudanças bruscas de comportamento, especialmente relacionado a algum evento dolorido como perdas, notar se a pessoa aumentou o uso de álcool e drogas e passou a agir imprudentemente. Um sinal de alerta importante é a pessoa se isolar de familiares e amigos.
Na seção das perguntas mais frequentes do site da instituição, indicam que a melhor forma de agir quando vemos alguém considerando o ato, não é tentar convencê-lo a sair da situação com frases como: “você tem tanto para viver” ou “pensa em como isso vai machucar sua família”, mas sim mostrar empatia: “imagino como deve ser difícil para você estar se sentindo assim” e se colocar a disposição para ouvir.
“Desisti porque fui escutado”
Em palestra no TED “A Ponte entre o Suicídio e a Vida” um guarda rodoviário que patrulhava a ponte do Rio São Francisco, a Golden Gate Bridge, local reconhecido como a maior taxa de suicídios nos Estados Unidos, conta ter salvo um homem da beira da ponte que alegou desistir de pular porque foi escutado. O guarda coloca esse item como fundamental para prevenir uma pessoa de se matar. Segue uma fala interessante da sua palestra:
“Escute para entender. Não discuta, não culpe, ou diga à pessoa que sabe como ela se sente, porque você provavelmente não sabe. Apenas por estar lá, você talvez seja exatamente o ponto crucial que ela precisa. Se vocês acham que alguém está pensando em suicídio, não tenham medo de confrontá-lo e fazer a pergunta. Um jeito de lhes fazer a pergunta é assim: “Outros, em circunstâncias parecidas, pensaram em acabar com a própria vida; você já teve esses pensamentos?” Confrontar a pessoa cara a cara pode salvar sua vida e ser o ponto da virada para eles. Alguns outros sinais para observar: Falta de esperança, acreditar que as coisas são terríveis e que nunca vão melhorar; desamparo, crer que não há nada que possa ser feito a respeito disso; afastamento social recente; e perda de interesse na vida” (trecho copiado da transcrição em português da palestra, disponível nesse link). 
Artigo recente da uol, sobre os suicídios no estádio Morenão no Mato Grosso do Sul, também traz essa questão da importância de “escutar”, com o depoimento de um voluntário do CVV. Veja a matéria completa aqui.
“Depressão é um segredo de família que todo mundo tem”
Em palestra no TED, o escritor americano Andrew Solomon declarou já ter pensado em suicídio durante uma crise de depressão crônica. Só não foi adiante porque conseguiu um bom tratamento a tempo. Ele toca numa questão importante, a de que os tratamentos são caros e não acessíveis a todos. Em entrevistas com pessoas, na busca para entender o porquê alguns parecem ser mais resistentes à depressão do que outros, Solomon descobriu que as que conseguiram lidar com isso foram as que encararam a situação, falando a respeito e compartilhando. “Quando tentam escondê-la ou negá-la, ela aumenta”, ele diz. Veja a palestra aqui.
O escritor descreve o estado depressivo como estar incapaz de funcionar no mundo e relembra uma frase escutada em uma das entrevistas que fez: “É uma maneira mais lenta de estar morto”. Ele diz que “na depressão, você não vê o mundo através de um véu, você acha que agora o véu saiu e você está vendo o mundo como ele realmente é. O deprimido acha que está vendo a realidade, como as coisas são de verdade. Mas a verdade mente. Essa é a grande questão”. Por fim, Solomon declara que o oposto de depressão não é felicidade, mas sim a vitalidade.

A psicóloga Flávia Penteado acredita que o suicida que sofre de depressão comete o ato na descida até o fundo do poço ou quando começa a sair dele. Porque no estado depressivo, a pessoa não quer sair da cama, comer, não quer agir. Mas quando ela começa a sair desse estado, há o perigo maior, porque já existe força para se matar. Por isso alguns estudos sugerem como sinal de alerta a melhora muito brusca do paciente. Ela acompanhou o caso da mulher de um paciente seu, morto num acidente, que se recusou a fazer um tratamento psiquiátrico para lidar com o luto e optou por se auto-medicar, misturando remédios e usando dosagens aleatórias. Um dia ela escreveu no Facebook “fuiiiii” e se matou. Flavia acredita que ela não queria mesmo morrer, o que ela queria era esquecer.