quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Suicídio não é contagioso. Precisamos falar a respeito


Aviso: discussão franca sobre suicídio.
Escrever sobre suicídio não é fácil. Venho ensaiando esse post há algum tempo, mas nunca sei por onde começar. Com a minha própria história? Como vivi em um poço de desespero que pode levar alguém a realmente achar que tirar a própria vida é a solução? Ou começo com as estarrecedoras estatísticas de suicídio? Tipo: a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio? Ou: você sabia que METADE de TODOS os universitários contemplam o suicídio em algum momento?
Nenhuma das opções me permitiria achar o registro correto para falar de algo tão evasivo como o suicídio. Mas aí, na quarta passada, recebi uma mensagem de texto que finalmente me deu a voz para falar do assunto. E aquela voz estava muito irritada.
Eram 20h30, eu e meu marido estávamos no sofá assistindo séries gravadas quando o celular apitou. Temos um acordo de tentar não usar o celular depois de certa hora, a menos que estejamos esperando alguma notícia. Se fosse só uma mensagem, teria ignorado. Mas a urgência de várias mensagens chegando me fez descumprir nossa regra.
Era minha melhor amiga. Ela tinha acabado de descobrir que uma conhecida dela tinha cometido suicídio (eu não conhecia a pessoa). Minha amiga também não era muito próxima dela; tinham atuado juntas uma vez. Uma amiga da minha amiga, mais íntima, contou a notícia e estava devastada. Minha amiga estava no meio de um ensaio e não podia falar, mas precisava contar para alguém que pudesse entender. Que pudesse ajudá-la a consolar a amiga.
Apesar de ser um bastião de conhecimento sobre saúde mental, fui pega no contrapé. Estava sem palavras. Não há como se preparar para a notícia de um suicídio. Além de estar junto, ouvindo, dando um abraço, não há muito como consolar um amigo ou familiar que esteja lidando com esse tipo de perda.
O absurdo da situação é que, nos últimos dois meses, soube de três suicídios (e não estou falando dos vários que foram cobertos pela imprensa, como o de Leelah Acorn. Não conhecia pessoalmente nenhuma das vítimas. Sempre é um amigo de um amigo, mas a notícia sempre parece um soco no estômago, que me deixa sem ar e me leva às lágrimas. (Choro pela morte de desconhecidos porque sinto solidariedade pelas pessoas que têm problemas mentais e porque sei bem o que é esse buraco negro de tristeza.)
Mas, naquela quarta-feira, alguma coisa estava diferente. Talvez porque minha melhor amiga estava perturbada, ou talvez porque essa era a terceira pessoa. O fato é que eu estava puta da vida.
Estava puta porque alguém estava sofrendo tanto a ponto de achar que precisava tirar a própria vida. Estava puta porque elas estavam tão desesperadas que achavam que a morte era uma alternativa melhor que a vida. Estava puta porque essas pessoas claramente não estavam recebendo a ajuda que precisavam ou mereciam. Estava puta da vida que as pessoas diriam que "jamais esperavam" algo assim. Estava puta porque o suicídio não deveria acontecer, mas parece continuar acontecendo, se repetindo.
Apesar de todos os avanços na conscientização sobre problemas mentais, o suicídio ainda é uma questão envolvida num manto de silêncio e segredo. Ele às vezes é tratado como uma doença "contagiosa", como se você pudesse contraí-la só de falar seu nome.
Talvez o "contágio do suicídio" se dê não por causa do ato em si, mas porque ninguém queira falar do assunto. Ninguém quer falar que talvez já tenha pensado em se matar, porque é desagradável e mórbido. Ou talvez porque tenha um parente que cometeu suicídio e o assunto é tabu. Ou talvez porque o suicídio só traga muita tristeza, mesmo que eles não conheçam a pessoa.
Não há maneiras fáceis de falar de suicídio, porque é difícil explicar como alguém possa pensar que a morte é uma solução viável para seus problemas. Como alguém que já pensou seriamente em vários jeitos de morrer, ainda tenho dificuldade de articular o suicídio. É uma questão complexa e confusa porque vai contra um dos nossos instintos mais básicos: a autopreservação.
A questão é que o suicídio nunca é sobre a morte, mas sim sobre o desejo de que a dor acabe. É querer desaparecer. É querer que seu problema, qualquer que seja, suma. Se você nunca lutou contra depressão, ansiedade, síndrome do estresse pós-traumático, transtornos alimentares ou qualquer outro tipo de doença mental, é difícil entender essa constante e aparentemente interminável dor psíquica. É uma dor que te segue como uma sombra quando você está acordado, uma assombração quando você está dormindo. Não há como fugir.
Além disso, é difícil falar de suicídio por causa dos mitos que cercam o assunto. Tenho certeza que algum pesquisador realizou estudos com números, mas já passei por situações sociais o suficiente para saber como as pessoas podem ser idiotas quando se trata de saúde mental e suicídio.
Estava numa festa no verão passado quando a conversa enveredou por esse tema: suicídio, autodestruição e saúde mental. Não sei como ou quando começou a conversa, mas foi de repente. Me preparei para o impacto.
"Dizem que é um pedido de ajuda."
"Eles querem chamar a atenção."
"Bom, dizem que pela direção dos cortes dá para saber a diferença entre uma pessoa que quer se mutilar e um suicida."
"Quão idiota você precisa ser para cagar seu próprio suicídio?"
"Entendo quando alguém pula na frente do metrô - mas todo mundo sabe que tomar um vidro inteiro de analgésico só vai te deixar doente."
Esses comentários foram disparados com o acompanhamento de queijos e vinhos, diante de completos desconhecidos. Essa é a estupidez e indiferença que acompanha as discussões sobre suicídio. Ignorância e insensibilidade dominaram a conversa.
Permita-me desmistificar algumas coisas sobre automutilação e suicídio: as duas coisas não estão intrinsecamente relacionadas. Só porque você se corta não quer dizer que você queira se matar. Tentar o suicídio ou se mutilar não é um "pedido de ajuda" e não é uma maneira de chamar a atenção. As pessoas que fazem esse tipo de coisa estão doentes, como quem sofre de diabetes ou câncer, e simplesmente não sabem lidar com seus sentimentos ou com o mundo em que vivem. (A Associação Canadense de Saúde Mental derruba outros mitos sobre suicídio.)
Isso foi o que tive vontade de falar naquela festa. Mas, depois de aguentar aquelas palavras em silêncio, saí às lágrimas.
Não se trata de não falar de suicídio por acharmos que ele vai ser contagioso, mas precisamos saber COMO falar do assunto. Precisamos ter sensibilidade com nossa audiência. Precisamos ter consideração pelas experiências dos outros. Precisamos ser gentis e compreensivos.
Suicídio desafia qualquer lógica e não é um assunto fácil de abordar, mas precisamos falar do assunto. Ou então todas essas mortes terão sido em vão.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.
http://www.brasilpost.com.br/marisa-lancione/suicidio-nao-e-contagioso_b_6533586.html



Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, ligue para o número do CVV: 141 e, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra.





sábado, 10 de dezembro de 2016

Ninguém sabe lidar com um suicida, nem o próprio suicida


Quando eu tinha 15 anos eu tentei me matar pela primeira vez. Fazem 11 anos e há 11 anos e mais duas tentativas depois eu acordo todos os dias pensando: "só preciso sobreviver a mais esse dia". É exaustivo.
Faço terapia desde os 7, 8 anos, não me lembro bem e já tive diversos diagnósticos.
Tive melhoras mas nunca consegui acordar e apenas viver.
Oito meses atrás terminei um relacionamento e a cinco tive uma crise bastante severa.
Meu namoro foi abusivo, de ambos os lados e hoje carrego igualmente uma carga de culpa e amor sem tamanho.
Mas não foi por causa desse relacionamento que voltei a pensar em suicídio com tanta frequência novamente.
Ninguém pensa em se matar por conta de um amor que deu errado, ninguém pensa em se matar por problemas financeiros, ninguém pensa em se matar por excesso de problemas.
Isso tudo são motivos externos e o real problema é como a gente lida (ou não) com essas questões externas.
Temos também o problema de que ninguém falar sobre isso. Algumas pesquisas que nunca vi apontam que falar sobre suicídio aumenta os índices, mas pra mim só piora.
Ter pensamentos suicidas também não implica que a pessoa não seja funcional, que a pessoa não viva ou seja incapaz de sorrir e se divertir.
Pensar em acabar com a própria vida é simplesmente um pensamento ou um ato reflexo de uma dor interna que parece impossível de se resolver naquele momento.
Ninguém sabe lidar com um suicida, nem o próprio suicida, mas existe uma infinidade de profissionais que buscam entender como ajudar.
Pode não existir um diagnóstico, pode não ter um tratamento, podem existir vários diagnósticos e vários tratamentos e a questão é que é tudo muito duro e se torna mais duro ainda quando não tem com quem falar.
Imagino que seja desesperador para um pai, uma mãe, um namorado ou uma amiga ouvir que simplesmente a pessoa que você ama e se importa não aguenta mais a ponto de tentar o suicídio, mas te garanto que todo e qualquer apoio tem uma importância gigantesca.
Por isso fica aqui o meu relato e o meu apoio. Se você já cogitou se suicidar, ou tentou, peça ajuda, não se envergonhe. Fale com amigos, familiares e profissionais.
E se você conhece alguém que seja suicida, ouça, observe, apoie, busque ajuda para ele sair dessa.
Quanto a mim, hoje foi mais um dia que sobrevivi, e tenho certeza que tenho feito o possível para viver muitos outros. E também sei que tudo muda, tudo passa e que sabendo olhar pra dentro e pedindo ajuda tudo fica mais fácil.


Iran Giusti


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra.




Este texto foi publicado por Iran Giusti em 8 de setembro de 2015  



A Depressão, Aos Olhos Dos Outros


"Você está apenas tendo um dia ruim"
Eles dizem.
"Por que você não levanta dessa cama?"
Eles perguntam.
"Talvez se você tivesse uma atitude mais positiva as coisas poderiam melhorar"
Eles sugerem.
“Por que você não se esforça um pouco pra sair dessa? ”
Eles propõem
Mas eu não posso.
Estou afundando e eu não consigo chegar na superfície.
Eu estou transportando uma tonelada de tijolos que me pesam.
"Pelo menos você não tem uma doença grave"
Eles dizem como se fosse um elogio.
"Basta tomar o seu medicamento, que melhora"
Eles acham que o medicamento vai resolver todos os problemas.
"Saia com os amigos, você vai se sentir melhor saindo com eles"
Eles recomendam.
Mas eu não posso.
Não importa o quanto eu tente,
Alguns dias, eu não consigo sair da cama.
Lágrimas e lágrimas são derramadas durante horas.
Por que eu me sinto assim?
Isto é real?
É na minha cabeça?
Eu só quero me sentir normal.
Gostaria que as pessoas pudessem ter pelo menos um vislumbre do que acontece em meu cérebro, dando-lhes uma perspectiva do que eu tenho que lidar diariamente.
Eles questionam cada movimento que eu faço.
No entanto, eles não têm a mínima ideia de quão doente eu realmente sou.
A doença mental é real.
Não se vê,
Mas é real.
As pessoas, de fora, podem não entender,
Mas o que você está sentindo é real e válido.
Não gostaria que a depressão fosse o meu pior inimigo.
Eu gostaria que fosse possível para os outros ver as lutas internas que quem sofre de depressão enfrenta todos os dias.



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.



Texto original: Depression From the Outside Looking In / By Meghan Camello
https://themighty.com/2016/12/hidden-parts-of-depression/


 Tradução livre e adaptada

sábado, 3 de dezembro de 2016

Por que papai nem sempre pode brincar


Minhas doces meninas,
Um dia vocês vão entender e tudo vai fazer sentido. Eu sei que agora é muito confuso ver seu pai passar por todas essas coisas. Vocês são crianças ainda para entenderem o que uma doença mental é. Vocês percebem, mas não sabem que ela tem um nome – depressão.
Eu tenho essa doença chamada depressão, transtorno depressivo persistente para ser exato. Acontece que eu a tenho desde o começo de minha vida adulta. Eu sabia que na adolescência algo de seriamente errado estava acontecendo comigo, que as pessoas "normais" não têm esses pensamentos escuros e terríveis que eu tinha. Era tanta a escuridão que eu quase tirei a minha própria vida quando tinha 16 anos e, até hoje, não sei exatamente por que eu decidi (no último momento) não puxar o gatilho. Mas estou feliz que eu não tenha feito.
Eu nunca tinha procurado ajuda profissional até vocês três surgirem na minha vida. Eu estava com medo do que as pessoas pensariam de mim: com medo de perder a minha carreira, com medo de que as pessoas que eu amava me deixassem se soubessem o que se passava na minha cabeça. Tentei chegar até algumas pessoas que eu confiava, mas quando vi como elas reagiram, decidi que não valia a pena contar.  Pensava que estava sozinho, e ninguém jamais me entenderia. Nem mesmo eu sequer entendia o que estava acontecendo comigo.
Olhando para trás, eu tive pelo menos três episódios depressivos maiores na minha vida. Este último tem sido o pior, de longe. Eu tive muito mais sintomas físicos do que antes, juntamente com os sintomas mentais incapacitantes de tristeza, desesperança e apatia. Tenho certeza que é muito confuso para vocês assistirem eu passar por tudo isso, e eu sinto muito, mas não posso explicar isso agora de uma maneira que faça sentido para vocês.
Sinto muito pelas vezes em que permaneci deitado na cama durante todo o dia quando vocês queriam brincar. Sinto muito pelas vezes que eu estava presente, mas que realmente não estava. É uma tortura contemplar o olhar decepcionado de vocês quando eu digo, "Desculpe queridas, papai não pode brincar hoje." Eu sinto muito quando não posso levar vocês ao parque, brincar com as bonecas, sair para caminhadas e passeios de bicicleta como uma família.
Eu mantenho a esperança de que um dia vocês vão olhar para trás e perceber que fiz o melhor que pude.
Obrigado pelos abraços, o aconchego, amor, graça, que vocês me dão e que eu espero que continuem me dando. Quando a esperança faleceu, vocês foram a minha esperança. Vocês têm sido a razão pela qual eu continuei lutando e me mantive vivo. Vocês são a razão pela qual eu passei por tantas mudanças na medicação, tantas sessões de terapia, na esperança de que eu possa estar junto de vocês da melhor forma possível. Quando eu estou nos meus piores momentos, eu penso em vocês e encontro a coragem para seguir em frente. Eu estive e ainda estou determinado a estar aqui para vocês, para ver vocês crescerem e se tornarem em jovens e belas mulheres.
Estou esperançoso de que vocês viverão em um mundo onde não haverá nenhum estigma para aqueles que são portadores de uma doença mental. Estou esperançoso que vocês nunca andarão por esta estrada escura de lutar consigo mesmo. No entanto, se vocês tiverem que enfrentar estas questões, podem ter certeza que não terão nenhum defensor maior do que eu. Estarei sempre aqui ao lado de vocês, não importa para quê. Vocês não têm que ter medo, pois jamais estarão sozinhas neste mundo.
Amor para sempre,
Seu pai



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.



Texto original: To My Daughters, One Day You’ll Understand Why Daddy Couldn’t Always Play By Sean Hagey
https://themighty.com/2016/11/a-letter-to-my-daughters-explaining-my-depression/


 Tradução livre e adaptada

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

7 coisas que você deve saber sobre Automutilação



 Automutilação é um assunto complexo e muito mal compreendido.
Como alguém que já usou a automutilação como um recurso de enfrentamento de problemas no passado, mas que superou, eu sinto que tenho uma visão única sobre este mundo incomum.
Todo mundo é diferente, e os que se automutilam o fazem por todos os tipos de razões.
Há algumas coisas simples que eu gostaria que as pessoas soubessem antes de julgar alguém que fere a si mesmo.
1. É uma maneira de lidar com uma profunda dor emocional
Automutilação, para mim, era uma maneira de controlar a dor emocional que eu não entendia. Era uma maneira de aliviar a dor esmagadora e insuportável. A lesão física provocada ao meu corpo era muito mais fácil de gerenciar do que o sofrimento emocional, e ele também criava uma distração para essa dor emocional.
2. É um lugar muito solitário
Não é só o fato da pessoa se sentir angustiada, possivelmente desesperada ao começar a se cortar, mas o estigma e a discriminação em torno das pessoas que se ferem, contribuem para sentimentos extremos de isolamento.
3. Ela não discrimina
É mais comum em mulheres e estima-se que 1 em cada 12 jovens se automutilam, mas também afeta homens e adultos mais velhos também. Ela também é encontrada em todas as culturas.
4. Não é busca de atenção
As pessoas que se automutilam raramente falam sobre isso. A única vez que aconteceu de outras pessoas descobrirem sobre meus cortes foi quando eu tinha me  machucado tanto que não conseguia controlar mais a situação sozinha (precisava tomar pontos nos cortes, por exemplo) – caso contrário eu iria continuar escondendo-os e continuar a me sentir envergonhada.
Cortar-se é uma maneira de administrar sozinho seu próprio sofrimento.
É comum que as pessoas usem mangas compridas mesmo em dias muito quentes, preferindo sentir calor, em vez de enfrentar os julgamentos dos outros sobre suas lesões ou cicatrizes.
5. Ela está intimamente ligada com baixa autoestima
Minha opinião pessoal é que alguém que se automutila é alguém que se autodeprecia, a si e a seu corpo.
Minha recuperação só veio quando eu comecei a acreditar que eu merecia me tratar melhor.
6. As pessoas que se automutilam estão em risco de suicídio consumado
Há uma diferença entre o comportamento suicida e automutilação.
No entanto, como o passar do tempo as pessoas que se automutilam se colocam em maior risco de completar o suicídio, mesmo que elas, a princípio, não tenham a intenção de se matar.
7. Você não consegue “simplesmente parar”
Há semelhanças entre a automutilação e vício.
Não é algo que as pessoas envolvidas possam se livrar facilmente e, portanto, desistir de se cortar, muitas vezes, será uma jornada longa e difícil.
Eu tive que aprender a ter compaixão de mim mesma e tive que encontrar outras formas de conduzir as minhas emoções mais fortes.
Mas eu sou a prova viva de que é possível parar, com motivação, perseverança e um trabalho duro consigo próprio.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste artigo, por favor procure a ajuda profissional de um psicólogo.


Texto original: 7 things people should know about self-harm
http://metro.co.uk/2016/09/04/7-things-people-should-know-about-self-harm-6085755/

 Tradução livre e adaptada



sábado, 29 de outubro de 2016

Prezada Depressão, Você Não Vai Vencer


Prezada Depressão,
Você não vai vencer. Às vezes você é ardilosa e parece que está vencendo e às vezes você está mesmo vencendo, mas eu sou conhecida por meus retornos e no final eu vou vencer. Você tenta jogar esses jogos de manipulação, procura isolar a todos e cada um de seus "jogadores", fazendo com que se sintam sozinhos e como se cada um de nós fôssemos os únicos neste jogo malicioso seu. Você não nos engana. Nós nos reunimos todos os dias e existe um poder e uma forte resistência que se forma quando as pessoas se reúnem. Nós não estamos jogando este jogo sozinhos, estamos jogando como uma equipe. E como uma pessoa nesta equipe, que chegou muito perto de desistir deste jogo que chamamos de vida, aqui vai o que eu quero dizer aos meus companheiros de equipe:
Eu estava na ponte, muito perto de ser vencida. A depressão não parava de me dizer: "Você está com tanta dor, isso vai fazer tudo desaparecer. Basta saltar. Você não vai conseguir nada tentando lutar por mais tempo. Você nunca vai ficar melhor. Eu sempre vou voltar. Que vida é essa que você está vivendo? Você é inútil, indigna de ser amada e nunca poderá fazer nada direito. Basta saltar. É essa a hora."
Depressão, você acha que eu não sei reconhecer esses pensamentos?
Isso é você falando comigo, não sou eu!
Você é como uma nuvem que desce sobre o meu cérebro e mascara quem eu sou realmente e esconde os meus pensamentos mais autênticos. Meus verdadeiros pensamentos têm lógica. Seus pensamentos são falsos, mesmo que eu acredite neles em alguns momentos. Eu ainda nem sempre acredito que sou digna, que posso ser amada e capaz de cometer erros, porque isso é o que significa ser humano. Mas estou aprendendo.
Eu não sou você, depressão!
Eu sou muito mais do que você. Eu tenho muito potencial. Eu sou bonita. Eu faço a diferença aqui na Terra. A viagem não é fácil. É terrivelmente difícil e às vezes parece insuportável, mas acreditem em mim, outras pessoas estão cientes de você, outras pessoas sabem quem você é, e por causa dessa conexão que temos vamos lutar com você juntas e, não, deixar você nos vencer.
Mais uma coisa, só porque eu luto com você muitas vezes não significa que eu tenha vergonha de você. Eu não estou envergonhada por você ou por me fazer sentir, às vezes, como se eu fosse louca. Você é uma doença. Você é como qualquer doença física, exceto que as pessoas estigmatizam você, porque eles simplesmente não te entendem. Mas para mim e todos os outros que você faz sofrer está certo, OK.
Nós estamos levando um dia de cada vez.
Atenciosamente,
Michelle, a guerreira




Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.



Texto original: Dear Depression, You Will Not Win / By  Michelle Janiak
https://themighty.com/2016/10/a-letter-to-depression-you-will-not-win/



Tradução livre e adaptada



sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Compartilhar problemas e sentimentos não te faz uma pessoa fraca


Eu sinto que há esse enorme equívoco de que compartilhar seus sentimentos e problemas faz de você uma pessoa fraca, e manter tudo guardado te faz forte.
Sinto muito, mas eu tenho que discordar.
Não estou dizendo que se você é alguém que mantém suas emoções e pensamentos só prá você, que você não seja forte. Pelo contrário, eu estou dizendo que não há nada de errado em compartilhar como você se sente. Eu já ouvi isso antes, e eu tenho certeza que você também. As pessoas chegam e dizem coisas como: "Uau, eu nem sabia que você tinha (insira um problema de saúde mental ou física aqui)." Elas acham que dizendo isso para uma pessoa que esconde seus problemas é como se estivessem fazendo um elogio, dizendo o quanto ela é forte.
Agora, não me interpretem mal. Concordo: há muita gente por aí que não compartilha seus sentimentos ou emoções e que são fortes. No entanto, observamos pessoas que compartilham os seus sentimentos e suas lutas e que são fortes, também. Talvez eu esteja errada, mas parece que as pessoas tendem a dar mais crédito para aqueles que guardam para si seus sentimentos do que para aqueles que não o fazem. Eu acho que essa atitude é errada, muito errada e também triste. 
Eu acho que as pessoas precisam saber que o certo é compartilhar seus problemas e sentimentos, porque ao fazê-lo, não estão ajudando somente a si próprios, mas estão ajudando os outros que sofrem e lutam também. Pense nisso!
Ao falar, abrir nosso coração, compartilhar o que passamos, nós informamos aos outros que lutam a mesma luta que eles não estão sozinhos. Especialmente quando se trata de lidar com a saúde mental, compartilhar como se sente é extremamente importante. Já é muito difícil e dura a luta diária para quem é portador de um distúrbio mental, então, ao compartilharmos os nossos sentimentos e lutas, estamos abrindo-nos ao poder de cura e de apoio – de conexão.
Talvez, eu esteja sendo um pouco tendenciosa. Eu sempre fui o tipo de pessoa que fala sobre os próprios problemas (é claro, para aqueles que eu possa confiar). Às vezes, eu sinto que o mundo quer isso e aprecia esta característica, e outras vezes, nem tanto. Há toneladas de pessoas lá fora que, infelizmente, não querem e não sabem ouvir. No entanto, temos de perceber o quanto é importante compartilhar nossos sentimentos e, como eu disse, o quanto é benéfico para nós e os para os outros. Portanto, não tenha medo. Compartilhe seus sentimentos e lutas com aqueles que você confia! Você perceberá que ao compartilhar os seus problemas, sentimentos e emoções, vai conhecer pessoas maravilhosas que também compartilham como se sentem e pessoas que estão dispostos a ajudar de formas e maneiras que você jamais poderia ter imaginado!



Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.



Texto original: What We Can't Forget When We Praise People Who Hide Their Feelings /By  B.G.
 https://themighty.com/2016/10/sharing-your-feelings-doesnt-make-you-weak/

Tradução livre e adaptada







sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Por que eu não quero que as pessoas entendam a minha depressão


A depressão é uma doença detestável. Destina-se a te isolar e levar você, emocionalmente, para baixo. Costumo discutir a minha doença com outras pessoas e tentar explicá-la, mas, outro dia, eu percebi uma coisa.
Eu realmente não desejo que ninguém consiga entender o que eu atravesso por sofrer de depressão.
Para entender alguém é preciso saber como ele se sente. Imaginar-se no lugar dessa pessoa. Ter experimentado os mesmos sentimentos em algum momento de sua vida.
Eu não quero que alguém entenda o que só eu sei o que estou sentindo, mesmo quando em uma sala com pessoas que me amam e se importam comigo.
Eu não quero que qualquer um entenda os sentimentos de ódio que tenho por mim mesma, quando sua cabeça fica te repetindo que você não é uma pessoa boa o suficiente e que o mundo seria um lugar bem melhor se você não existisse.
Eu não quero que qualquer um entenda o quanto é horrível ficar em um sofá ou numa cama o dia todo, pensando que deveria me levantar e sair para fazer uma caminhada.
Eu não quero que qualquer um entenda o esgotamento que você sente no final de cada dia. A batalha que você trava para ficar acordada durante todo o dia, todos os dias.        
Eu não quero que qualquer um entenda a sensação de impotência de não ser capaz de ajudar a si mesma.
Eu não quero que qualquer um entenda como é se sentir tão irritada e desanimada, e não ter uma única boa razão a respeito do porque você se sentir assim.
Eu não quero que ninguém entenda o que estou passando, porque eu sei como me sinto, e meu desejo é que ninguém se sinta do mesmo jeito.

Tudo que eu quero, de verdade, tudo que eu quero é a aceitação de que estou fazendo o meu melhor para ficar melhor. E, às vezes, que vou precisar de alguma ajuda e amor enquanto eu estiver passando por isso.


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.


Texto original: Why I Don't Want People to Understand My Depression By Jenny Bromfield
https://themighty.com/2016/10/why-i-dont-want-people-to-understand-my-depression/


Tradução livre e adaptada






quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Evangélicos, Vocês Estão Errados Sobre Suicídio e Doença Mental



Por Emy Simpson, cristã e autora do livro Troubled Minds: Mental Illness and the Church's Mission, sobre cristãos portadores de doenças mentais.
 Como tenho escrito sobre as doenças mentais e a igreja ao longo dos últimos anos, eu tenho me dirigido a igreja em geral. Mas hoje, particularmente, quero me dirigir aos meus companheiros evangélicos.
Uma pesquisa recente da Life Way Research produziu algumas estatísticas interessantes relacionados com a doença mental, entre eles duas estatísticas que revelam um contraste chocante. Entre os evangélicos pesquisados, 64% acreditam que as igrejas devem fazer mais para prevenir o suicídio. Ao mesmo tempo, 48% acreditam que a doença mental grave pode ser curada somente pela oração.
Ora aqui está o que eu acho chocante: Essa segunda estatística revela uma atitude que realmente contradiz o que 64% alegam sobre o que eles querem que a igreja faça. 
Aqui vai uma dica: Se você acredita que as igrejas devem fazer mais para ajudar a prevenir o suicídio, aqui está uma forma tangível e rápida para ajudar agora: Pare de dizer às pessoas que elas podem curar a doença mental apenas com oração.
Concordo, só porque as pessoas dizem que a doença mental pode ser superada com o estudo da Bíblia e oração não significa que essas mesmas pessoas iriam desencorajar o tratamento médico e a psicoterapia para alguém com doença mental.
Mas em inúmeras igrejas, tais crenças são amplamente sustentadas e disseminadas. E, em outras, embora a procura de tratamento não seja abertamente condenada, a oração e estudo da Bíblia continuam prescritos como o primeiro passo para tentar evitar o tratamento e isso, para muitas pessoas, tem o mesmo efeito de desencorajar essa procura. Isso, certamente, tem o efeito de retardar o tratamento e esse atraso aumenta a probabilidade de que a doença mental venha a se tornar mais grave, podendo causar graves perturbações ao funcionamento da pessoa e, potencialmente, custar sua própria vida.
Enquanto a maioria das pessoas que são portadoras de uma doença mental (mais de 25% da população adulta americana) não morrem por suicídio, a maioria dos especialistas afirmam que pelo menos 90% das pessoas que morrem por suicídio tem um transtorno mental diagnosticável, que pode muito bem ser tratado E muitas dessas pessoas não recebem tratamento para a sua saúde mental. Obviamente é o tratamento e a gestão adequada da doença mental que são a forma – possivelmente a forma mais importante – de prevenir o suicídio. E a oração por si só, embora sendo útil, não é o tratamento adequado da doença mental. Na verdade, a maneira mais segura de conduzir as pessoas para mais perto do abismo do desespero consiste em dizer-lhes que a sua doença mental é simplesmente um problema espiritual; diga-lhes em seguida para orar e, em seguida, quando a oração não funcionar, basta dizer-lhes para orar com mais fé. 
Colocar uma carga espiritual pesada sobre as pessoas que sofrem de uma doença mental grave é uma forma de incentivar o suicídio, não de impedi-lo.
 É fácil para a maioria de nós compreendermos que se você diz a alguém com câncer, diabetes ou insuficiência renal que a oração é a melhor maneira de tratar a sua doença com risco de vida, e por causa de seu conselho essa pessoa recusa o tratamento médico, você está contribuindo para a sua morte. 
Você sabe que uma doença mental grave é também uma condição que coloca a vida em risco? Você sabe disso? De acordo com a Organização das Nações Unidas e do Instituto Nacional de Saúde Mental, em média, os americanos com doença mental grave morrem 14 a 32 anos antes do que a população em geral. A esperança média de vida para as pessoas portadoras de uma doença mental grave variam de 49 a 60 anos de idade. Compare isso com a expectativa de vida média nos Estados Unidos: 78,6 anos. O suicídio é apenas uma pequena razão para esta diminuição na esperança de vida, mas é significativa. Pessoas com esquizofrenia são 50 vezes mais propensos a tentar o suicídio do que a população em geral. Entre as pessoas com diagnóstico de transtorno bipolar, pelo menos, 25 a 50% fazem uma tentativa de suicídio. Entre as pessoas com depressão maior, a taxa de suicídio é 8 vezes superior à da população em geral. Portanto, para qualquer um que, hipocritamente, disser a essas pessoas que elas não têm uma condição médica que requer tratamento e que uma atividade religiosa mais cheia de fé e entrega à Deus é tudo que eles precisam, eu digo que essa é uma atitude indesculpável.
Considere o que acontece quando, apesar de orações sinceras e frequentes das pessoas, esta receita simplesmente não funcione, como inevitavelmente é o que acontece com a maioria das pessoas. Seu conselho equivocado condenou-as a sofrer ainda mais, pois acrescentou em cima de sintomas da doença mental grave, sentimentos de inadequação espiritual ou abandono. A que outra conclusão chega essa pessoa, senão que suas orações não são boas o suficiente ou que Deus se afastou delas?
Acredite: se só a oração fosse a cura padrão para a doença mental, minha mãe seria saudável e completa, ao invés de uma pessoa devastada pelos sintomas da esquizofrenia. Na verdade, se a fé fosse uma vacina eficaz para distúrbios cerebrais, ela nunca teria desenvolvido essa doença. Se ir a uma reunião de oração evangélica assegurasse saúde mental, nenhuma das pessoas sobre as quais eu escrevi em meu livro (Troubled Minds) teriam algo a dizer. Eu entrevistei fiéis cristãos que tomam medicação, se envolvem em terapia, participam de grupos de apoio, e sim, com certeza, oram regularmente.
Deus pode curar qualquer um, e às vezes ele faz isso milagrosamente. Mas na maioria das vezes, ele não o faz. Tal reconhecimento não põe em causa a grandeza de Deus ou de sua bondade. Ele nos colocou em um mundo onde vivemos dentro dos limites das leis naturais que ele criou e com a presença de doença, decadência e morte. Doença mental, como outras doenças, é uma realidade da vida em um mundo onde partes do nosso corpo, incluindo o cérebro, ficam doentes e passam a apresentar um mau funcionamento. Veja! Nós não consideraríamos aceitável, de forma nenhuma, prescrever exclusivamente a oração, sozinha, para o tratamento de fígados doentes, corações e pâncreas; porque prescrevê-lo para cérebros desordenados? A oração é fundamental para uma vida espiritual saudável, se estamos ou não estamos sofrendo de doença grave. Mas isso não é um substituto para o tratamento médico responsável.
Eu amo a igreja, e eu sou um grande fã das muitas maneiras que Deus vem usando o povo cristão como uma força para o bem deste mundo. Mas, às vezes, na nossa ignorância, equívoco, teimosia, preguiça, medo ou desejo muito humano de acreditar que como cristãos merecemos uma vida melhor do que outros, em nada estamos ajudando, mas somente fazendo aumentar o problema. Para os cristãos que acreditam que oração e o estudo da Bíblia são as substituições corretas para o tratamento dos distúrbios mentais, esta é a hora.
É a hora de todos nós aprendermos e falarmos a verdade: e ajudarmos a salvar vidas.


Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda, ligue para o número do CVV: 141 e procure ajuda especializada.




Texto original: Evangelicals, You’re Wrong about Mental Illness Published September 20, 2013 by Amy in ChurchMental HealthMental Illness
http://amysimpsononline.com/2013/09/evangelicals-youre-wrong-about-mental-illness/
  

 Tradução livre e adaptada