sábado, 19 de maio de 2018

Os suicidas são loucos?


NÃO, ter pensamentos suicidas ou fazer uma tentativa não implica ser “louco”, nem necessariamente ser um doente mental. Normalmente o suicídio é equacionado como forma de acabar com uma dor emocional insuportável causada por variados problemas. De um modo geral as pessoas que tentam o suicídio estão seriamente aflitas e profundamente deprimidas. Esta depressão pode ser reativa (quando é desencadeada por uma situação traumática ou estressante que a pessoa esteja vivenciando), situação que é perfeitamente normal para os que atravessam circunstâncias de vida difíceis; ou pode ser uma depressão endógena (em que o indivíduo sente uma tristeza profunda e mesmo desejo de morrer, sem motivo aparente) que é o resultado de uma doença mental diagnosticável com outras causas subjacentes. Também pode ser uma combinação das duas. 
A questão da doença mental é difícil porque ambos os tipos de depressão podem ter sintomas e efeitos semelhantes. Pensamentos e atos suicidas podem ser o resultado de problemas, tensões e perdas com as quais não se está conseguindo lidar. Numa sociedade onde o preconceito e a ignorância acerca da doença mental são muito grandes, a pessoa que experimenta comportamento suicida pode ter medo que os outros a considerem "louca" se revelarem os seus sentimentos e pensamentos, tornando-se relutante em pedir ajuda durante a crise que atravessam. De qualquer forma, descrever alguém como "louco", com fortes conotações negativas, não é, provavelmente, útil e o mais provável é dissuadir alguém de procurar ajuda adequada, independentemente da pessoa ter ou não uma doença mental.
As pessoas que sofrem de uma doença mental tal como o transtorno bipolar ou uma depressão endógena têm índices significativamente mais altos de suicídio, embora sejam ainda uma minoria os que tentam tal ato. Para estas pessoas, ter a sua doença corretamente diagnosticada, com um tratamento apropriado, é a melhor forma de impedir o ato de suicídio.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188 ou 141.


Texto livremente traduzido e adaptado.


segunda-feira, 23 de abril de 2018

10 Coisas para Dizer a uma Pessoa com Intenção de Suicídio



Muitos querem saber o que dizer diante de uma pessoa – quase sempre um conhecido, um amigo ou parente – que está pensando em suicídio e claramente expressa uma vontade de morrer. O que responder?
Primeiro, algumas advertências. Antes de começar, quero esclarecer algumas coisas: criei essa lista com base em minhas conversas com indivíduos suicidas em meu trabalho como assistente social clínico, minhas leituras de literatura clínica e relatos de pessoas que sofreram crises suicidas, e minhas próprias experiências passadas com pensamentos suicidas. Ninguém realmente pesquisou sistematicamente as coisas mais eficazes para os amigos ou familiares dizerem para uma pessoa suicida, então a opinião e a experiência são as melhores que temos por enquanto. Os resultados variam de acordo com as necessidades e personalidades de diferentes pessoas.
Também quero deixar claro que essa lista de coisas a serem mencionadas não pretende ser um roteiro. Em vez disso, ilustro maneiras pelas quais você pode ajudar uma pessoa pensando em se matar a se abrir, em vez de a calar e fazer com que ela se feche com um comentário que diminua, desvalorize e ou até mesmo despreze a experiência da pessoa.
E quero acrescentar, e ressaltar, que o que dizer geralmente não é tão importante quanto ouvir. Alguém que está pensando em suicídio precisa se sentir acolhido e compreendido. Deixe a pessoa contar sua história. Evite tentar imediatamente e de todas as formas consertar a situação ou fazer a pessoa se sentir melhor. Esses esforços, embora bem-intencionados, podem interromper a conversa quando o mais importante é deixar que a pessoa fale.
Então, com tudo isso dito, aqui estão 10 coisas que você pode dizer para alguém que lhe diz que está considerando se matar.
1.     "Fico contente por você me contar que está pensando em suicídio."
Quando alguém revela pensamentos suicidas, alguns pais, companheiros, esposas (os), amigos e outros podem reagir com raiva (“Não seja estúpido! ”), dor (“Como você pode pensar em me machucar assim? ”), ou dúvida (“Não acredito que você esteja falando isso. ”). Alguns “surtam”. A pessoa suicida pode então sentir necessidade de se defender da raiva, ou querer consolar a pessoa magoada, ou se fechar internamente diante da dúvida do outro. O resultado quase sempre é o arrependimento e a frustração por ter compartilhado seus sentimentos com alguém que percebe incapaz de compreendê-la.
Ao dizer “Fico contente por você ter me contado” – ou algo parecido – você diz que aceita e encoraja que o outro se abra e fale de seus pensamentos suicidas e que consegue lidar com isso.
2.     “Eu fico triste por você estar sofrendo assim. ”
Essa simples expressão de empatia pode ajudar muito a valorizar a dor do outro e acalmar a sensação de solidão.
3.     “O que está acontecendo para fazer você querer morrer? ”
 Este convite para a pessoa suicida contar sua história mostra interesse, gera uma sensação de acolhimento e revela que você realmente quer entender. Peça à pessoa para contar sua história. E então, escute. Realmente escute. Para aprofundar sua compreensão, com calma, estimule a pessoa a abrir-se cada vez mais, com colocações tipo "Eu estou aqui para ouvir o que você quiser me contar”.
4.     "Você já tem uma data certa de quando vai se matar?"
Mesmo que você não seja um profissional de saúde mental, ainda pode fazer algumas perguntas básicas para ajudar a entender o risco de suicídio da pessoa. Perguntar sobre o momento em que isso acontecerá fará a diferença entre se você precisa entrar em contato imediatamente com alguém e pedir ajuda (por exemplo, se a pessoa disser: "Estou planejando que amanhã mesmo vou tirar minha vida”) ou se você pode apenas continuar conversando com a pessoa.
5.     “Você tem um plano de como acha que vai se matar? ”
Esta é outra questão de avaliação de risco. A resposta pode ajudar a revelar a gravidade da situação. Uma pessoa que responde que será dentro de pouco tempo e já arquitetou um método de suicídio pode estar em maior perigo do que alguém com um vago desejo de estar morto, por exemplo.
Compreender os métodos de suicídio que a pessoa considerou também irá ajudá-lo em seus esforços para manter a pessoa segura. Por exemplo, se você é um marido e sua esposa revela pensamentos suicidas, saber que ela pode estar considerando uma overdose de um medicamento é um alerta para a necessidade de trancar ou jogar fora todos os medicamentos potencialmente perigosos.
6.     “Você tem acesso fácil a uma arma, medicamento ou algo que possa ser potencialmente mortal? ”
Essa pergunta completa a avaliação de risco da pergunta anterior e obter essa informação é sempre muito importante. Se a resposta for sim, peça à pessoa para considerar tornar a casa mais segura livrando-se você mesmo ou pedindo alguém próximo para livrar-se de perigos potenciais até que a intenção de suicídio desapareça.
7.     "Existe ajuda para o que você está sentindo."
Ao falar à pessoa que é possível obter ajuda, você já está ajudando-a a não se sentir tão sozinha, indefesa ou sem esperança. Se a pessoa que revela pensamentos suicidas para você é seu filho, seu marido ou esposa leve-o a um psicólogo para uma avaliação profissional. Da mesma forma indique a necessidade urgente de procurar ajuda profissional para outro que não for assim tão próximo.
8.     “O que posso fazer para ajudar? ”
Definitivamente, fale com a pessoa sobre a necessidade de procurar um psicólogo para ajudá-la, mas também deixe claro que você também está disponível, se for realmente capaz de ter essa disponibilidade emocional. Dito isso, há muito o que você pode fazer, mas se você está se sentindo o único responsável por manter a pessoa viva, a melhor decisão é envolver outras pessoas também.
9.     “Eu gosto e me preocupo com você e ficaria muito triste se você se matasse. ”
Tenha cuidado aqui. No post anterior que publicamos, uma das 10 coisas que não se deve dizer é: “Você não sabe que eu ficaria arrasada se você se matasse? Como você pode pensar em me machucar assim? ” Veja bem, a pessoa já se sente horrível por ter pensamentos suicidas.  Colocar ainda mais culpa em cima dela não vai ajudá-la a se sentir aliviada, compreendida ou bem acolhida para continuar falando.
Mas, por outro lado, uma simples declaração do quanto você se importa de verdade ou a ama pode ajudar a nutrir uma sensação de conexão, se a sua declaração não for uma tentativa de impedir a pessoa de falar mais sobre o suicídio.
10.     “Você pode contar comigo sempre que quiser conversar sobre seus pensamentos de suicídio. ”
Assim como você deseja que a pessoa se sinta acolhida por ter compartilhado seus pensamentos suicidas, é bom deixar claro que você estará sempre disponível para uma conversa. De novo, se for realmente capaz de ter essa disponibilidade emocional. Muitas vezes, alguém que tem pensamentos suicidas sente que os outros têm uma expectativa de "superar isso". Ao dizer à pessoa que você se prontifica a ouvi-la sobre seus pensamentos suicidas, você pode ajudar a evitar o isolamento e o sigilo.
Muito bem! Agora, quais são suas ideias sobre o que dizer para uma pessoa suicida?
Há muitas outras respostas úteis além das listadas aqui. Se você tem pensamentos de suicídio, o que você gostaria que lhe dissessem caso você contasse a alguém?
Se já ajudou algum amigo ou membro da família que tenha pensado em se matar, você acha que quais respostas suas foram capazes de estimular o acolhimento, o compartilhamento e a segurança? Por favor, contribua e sinta-se à vontade para fazer um comentário a este texto.


 Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.


Texto original: 10 Things to Say to a Suicidal Person / Written by  /https://www.speakingofsuicide.com/2017/10/03/10-things-to-say/
Texto livremente traduzido e adaptado.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

10 Coisas para Não Dizer a uma Pessoa com Intenção de Suicídio



"Eu quero me matar."
Essas quatro palavras provocam um choque quando são ditas, pois, é uma fala terrível para ser ouvida de um amigo ou membro da família que você gosta e não quer perder. Aí, você recua, impactado e assustado, sem saber o que fazer e pensa: como pode querer morrer?
Entretanto, por mais indesejáveis ​​que essas palavras sejam aos seus ouvidos, seu ente querido lhe deu um presente. Ele ou ela está dando uma abertura para você entrar. Ao dizer que eles querem morrer, eles estão lhe dando a oportunidade de ajudar.
Agora, preste bem atenção: o que você diz em seguida é muito importante. Repito, o que você diz em seguida pode levar seu amigo ou membro da família a deixá-lo entrar ainda mais – ou a fechar a porta. É compreensível que você se sinta perturbado, tomado de emoções, e  que tenha muitos pensamentos, alguns úteis, outros não.
Aqui estão 10 respostas comuns que podem desencorajar a pessoa a falar mais sobre o que está acontecendo. Primeiro, uma advertência: em geral, essas declarações podem transmitir julgamento e promover o distanciamento. Mas, dependendo do contexto, algumas pessoas podem responder positivamente a pelo menos algumas dessas respostas.
1.     “Como você pôde pensar em suicídio? Sua vida não é tão ruim assim. ”
Talvez, por fora, a vida de uma pessoa com intenção de suicídio não pareça “ tão ruim ”. Acontece que a dor está escondida. Aí, esse tipo de declaração transmite descrença e julgamento, não compreensão.
2.     “Você não sabe que eu ficaria arrasada se você se matasse? Como você pode pensar em me machucar assim? ”
De um modo geral a pessoa já se sente horrível e quase sempre muito culpada. Colocar mais culpa sobre seus ombros não vai ajudá-la a sentir-se aliviada ou acolhida em sua dor para contar ainda mais sobre como ela está.
3.     “O suicídio é um ato egoísta. ”
Isso provoca mais culpa. Dois pontos são importantes aqui. Um, muitas pessoas que consideram seriamente o suicídio, na verdade, pensam que estão sobrecarregando sua família mantendo-se vivas. Assim, em seu estado de espírito angustiado, talvez até mentalmente doente, estariam ajudando seus entes queridos, libertando-os desse fardo. Dois, a pessoa vivencia uma distorção em seus pensamentos e passa a julgar que a morte seja a melhor forma de livrar-se de uma dor ou de uma situação sem esperanças de solução.
4.     "O suicídio é covardia."
Isso provoca vergonha. Também não faz sentido. A maioria das pessoas tem medo da morte. Suicídio não se trata de ser valente ou corajoso.
5.     “Você não quiz dizer isso. Você realmente não quer morrer. ”
Muitas vezes a pessoa responde assim por ansiedade ou medo, mas estas afirmações desqualificam a dor do outro. Presuma que a pessoa realmente quer dizer que quer morrer. Faz mais mal desdenhar alguém que é verdadeiramente suicida do que levar alguém a sério que não é suicida, então por que não levar todos a sério?
6.     “Você tem muito ainda o que viver. ”
Em alguns contextos, esse tipo de declaração pode ser um lembrete reconfortante de oportunidades e esperança. Mas para muitas pessoas que pensam em suicídio e que sentem que está tudo acabado para elas, porque se encontram mergulhadas em profunda desesperança, essa observação pode transmitir uma profunda falta de compreensão.
7.     “As coisas poderiam ser bem piores. ”
Sim, as coisas poderiam ser piores, mas esse conhecimento não inspira alegria ou esperança. Eu o comparo a duas pessoas que são esfaqueadas, uma no peito e outra na perna. É muito pior ser esfaqueado no peito, mas isso não faz com que a dor desapareça para a pessoa esfaqueada na perna. Ainda dói. Muito. Assim, mesmo que as pessoas que pensam em suicídio tenham muitas coisas boas para viver, ou mesmo que suas vidas possam ser muito piores, elas ainda experimentam uma situação aparentemente intolerável que as faz querer morrer.
8.     “Outras pessoas têm problemas piores do que você e não querem morrer. ”
É verdade, mas isso pode ter o efeito de afundar a pessoa mais ainda na depressão. Compará-los a outros que lidam melhor com problemas ou que simplesmente têm a sorte de nunca ter pensamentos suicidas só pode piorar sua autocondenação.
9.     "O suicídio é uma solução permanente para um problema temporário.”
Eu conheço pessoas, especialmente adolescentes, para quem esta declaração foi tremendamente útil. Essa declaração dizia respeito aos problemas por que passavam. Mas também comunica que todos os problemas de todas as pessoas são temporários, quando podem ser tudo menos isso. Em tal situação, um objetivo realista para a pessoa pode ser aprender a lidar com seus problemas e  viver uma vida significativa, apesar deles. O outro problema com essa afirmação é que o suicídio passa a ser visto como uma solução. No mínimo, recomendo mudar a palavra “solução” para “agir” ou “ação”, simplesmente para evitar reforçar a impressão de que o suicídio realmente é uma solução e que resolve os problemas.
10.    "Você vai para o inferno se morrer por suicídio."
Muitos que já fizeram uma tentativa de suicídio pensaram, provavelmente, nessa possibilidade. Talvez eles concebam que o deus em quem acreditam perdoará seu suicídio. Outros, também talvez, nem acreditem no inferno.  Independentemente disso, sua dor e seu desejo de morrer permanece. Dizer-lhes que irão para o inferno pode provocar uma sensação de falta de empatia e incapacidade de compreensão.
É isso! São essas as 10 coisas para não dizer a uma pessoa com intenção de suicídio.
Veja, você pode ter qualquer um ou todos os pensamentos e emoções descritos acima, diante da afirmação de um amigo ou membro da família que diz querer morrer.  Isso não significa que você esteja errado ou seja uma má pessoa em ter essas reações. Afinal, você é humano. Você pode sentir raiva, mágoa, traição. Você não pode controlar os pensamentos e sentimentos que sente. 
Entretanto, você pode e deve controlar o que diz ou faz em resposta a seus pensamentos e sentimentos. Quando uma pessoa revela pensamentos suicidas para você, sua resposta em palavras e ações podem fazer uma profunda diferença na vida dessa pessoa.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.


Texto original: https://www.speakingofsuicide.com/2015/03/03/what-not-to-say/
 Texto livremente traduzido e adaptado.





domingo, 8 de abril de 2018

Por que 84 figuras masculinas estão de pé nas beiradas dos telhados de Londres?


Ao olharem para cima, as pessoas que transitavam no centro da cidade de Londres tiveram uma visão estranha e perturbadora: 84 homens, em pé silenciosamente nos telhados das torres de escritórios, como se estivessem prestes a pular para a morte.

Acontece que esses homens não são realmente humanos. São esculturas em tamanho natural, colocadas lá para chamar a atenção e aumentar a conscientização sobre o suicídio.
As esculturas foram instaladas como parte do Projeto 84, uma ideia tornada possível pelo artista de rua americano Mark Jenkins e pela Campaign Against Living Miserably, ou CALM, uma instituição de caridade focada na prevenção do suicídio, que ela diz ser o maior assassino de homens com menos de 45 anos no Reino Unido.
As esculturas representam os 84 homens que se suicidam, em média, todas as semanas no Reino Unido. CALM diz que três em cada quatro vítimas de suicídio são homens.
"Como sociedade, temos de superar barreiras e constrangimentos, temos que enfrentar esse problema terrível, discuti-lo e trabalhar ativamente para pará-lo", disse Simon Gunning, CEO da CALM.
As esculturas, todas com os rostos cobertos, foram empoleiradas nos telhados de vários prédios da ITV, a rede de televisão do Reino Unido. Elas permaneceram lá até o dia 1º de abril.
Jenkins, que é amplamente conhecido por colocar suas esculturas hiper-realistas em locais públicos, onde interage com os transeuntes, criou as figuras da fita adesiva.
Jenkins trabalhou com a colaboradora Sandra Fernandez para criá-las. Cada um das 84 esculturas representa um homem real que morreu por suicídio e suas histórias individuais são narradas no site do Projeto 84 .
O programa diário da ITV "This Morning " apresentou entrevistas com parentes e amigos dos 84 homens no centro do projeto.
"Apoiar essa campanha é investir na esperança, esperança de que, contando essas histórias, possamos entender melhor as complexidades do suicídio e lutar por uma mudança", disse Gunning.
O Projeto 84 também lançou uma petição on-line através da qual espera convencer o governo britânico a tomar medidas para melhorar a prevenção do suicídio e o apoio ao luto dos sobreviventes. 
Reação às esculturas no telhado têm sido principalmente positiva.
"É muito importante quebrar o estigma da saúde mental dos homens e fazer com que as pessoas saibam que não há problema em ter problemas", disse um observador no Twitter.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.

Texto original: . Here's why 84 male figures are standing on the edges of London rooftops By Mercedes Leguizamon and Brandon Griggs, CNN.

 Texto livremente traduzido e adaptado.




sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Namorado cria “pote de amor” para ajudar namorada que sofre de depressão

 
Depressão é difícil para todos os envolvidos. A pessoa que à sofre trava consigo uma luta diária para funcionar, e tem alguns dias que não consegue realmente avançar. Além disso, tende a se fechar, evitando contatos tão logo sente os efeitos da depressão. Dói ver um ente querido tão infeliz, e pode ser difícil simpatizar e entender uma pessoa que não pode responder às suas tentativas bem-intencionadas de ajudar. Para tentar ajudar a namorada com depressão a se sentir um pouco melhor em momentos de crise, um jovem teve uma ideia simples e criativa.
Usando nada mais do que um frasco, alguns palitinhos de picolé, marcadores coloridos e um pouco de papel, ele montou um “pote do amor” para a namorada usar quando sentir que precisa de uma mensagem positiva e de apoio em seu dia.
Bovadeez explicou a ideia assim:
"Cada "categoria" é codificada por cores, por exemplo, laranja são citações inspiradoras de poetas, figuras políticas, filósofos e humanistas de todas as épocas. Lembretes amarelos são palavras positivas para ajudá-la durante o dia, como "você é linda" e "está certo pedir ajuda", os roxos são dicas para ajudá-la a relaxar como "faça uma pausa" enquanto ela está trabalhando no seu mestrado ou "ouça sua música favorita". Eu coloquei também palitinhos em branco, para ela gravar alguma memória positiva neles, lembranças de momentos em que ela é mais feliz e então ela pode puxar um desses quando precisar. Esperamos que isso a ajude a recuperar o controle em alguns aspectos e para se dar um tempo e se concentrar mais em si mesma".
 Este gesto simples, mostrando à sua namorada que ele se importa e está sempre lá para ela no momento que ela precisar é uma ajuda poderosa para alguém com depressão. Muitas pessoas concordaram que essa abordagem seria muito apreciada e é um bom exemplo do tipo de suporte que é necessário.
Um usuário da Reddit tem uma namorada que luta com a depressão, e ele queria ajudar de alguma forma.

Então, ele teve uma ideia simples, porém brilhante, que envolveu um monte de palitinhos de picolé.

E que ele codificou usando canetas coloridas.

E colocou em um frasco para que sua namorada pudesse escolher. Cada cor é uma categoria.


Com citações, palavras positivas, dicas para relaxar e palitinhos em branco para que ela possa gravar momentos felizes.


As pessoas concordaram que este é um exemplo perfeito do tipo de apoio que uma pessoa com depressão pode apreciar.





Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.

Texto original: The Way That This Guy Handles His Girlfriend’s Crippling Depression Is Just Awesome.  https://www.boredpanda.com/popsicle-sticks-help-girlfriend-anxiety-depression/
 Texto livremente traduzido e adaptado.








segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Um frágil sexo forte

Se perguntarmos às pessoas sobre qual grupo humano pode ser identificado com a força e a capacidade de enfrentar problemas e superar os obstáculos, certamente a resposta da maioria seria de que esse grupo corresponde aos homens de meia idade, com estudos, uma boa situação profissional, que tenham as necessidades básicas resolvidas e bem situados na vida. Bem, a maioria estará errada, pois esse é o retrato típico do suicídio em nosso tempo.
As estatísticas são teimosas e não variam muito de ano para ano ou quando mudam de país. Com ligeiras variações, o número de homens entre 40 e 60 que tiram suas próprias vidas é três vezes maior ao das mulheres suicidas. Esses dados nos obrigam a perguntar qual tipo de problema está levando os homens a uma decisão que desmonta totalmente essa ideia do “homem, sexo forte".
A atenção desproporcional e quase exclusiva dada ao feminino nos estudos de gênero significou que fenômenos como esse, que afetam o homem de maneira especial, não têm sido suficientemente submetidos à investigação. Só temos aproximações, mais intuitivas do que com base em dados, que em geral enfatizam o peso dos papéis masculinos tradicionais: de acordo com essas hipóteses, o homem deve ser competitivo, buscar sucesso, exibir seus pontos fortes e esconder as suas fraquezas. O que o torna mais frágil em situações de derrota e frustração e mais vulneráveis ​​ao estresse e à ansiedade. Acrescente-se a isso a necessidade de fingir que está sempre bem mesmo quando tudo, emocionalmente, vai muito mal.
A compreensão do problema é difícil em vista de outras evidências constantes: embora os homens se suicidem muito mais do que as mulheres, os pensamentos suicidas são mais recorrentes nelas (algo não estranho, se levarmos em conta que também as taxas de doença mental são um pouco maiores nas mulheres). Alguns estudos acrescentam que mesmo as mulheres fazem mais tentativas do que os homens. Se assim for, devemos pensar que as diferenças não ocorrem tanto na resposta dramática às crises pessoais, mas nos métodos para resolver essas crises. Nesse sentido, as diferentes escolhas de acordo com o sexo mantêm as constantes clássicas. O homem, infelizmente, escolhe formas mais violentas de suicídio.
Existem, no entanto, alguns fenômenos tipicamente masculinos que agregam alguma lógica à essa disparidade no número de suicídios de homens e mulheres. Embora a escassez de estudos, algumas abordagens do fenômeno enfatizam alguns fatores, por exemplo a incidência de crises pessoais relativas ao trabalho. A perda de emprego, para o homem, reforçaria a enfraquecer sua autoestima e a tornar suas vidas sem significado. Há também indícios de que situações de separação e divórcio atingem os homens com maior força, às vezes por causa da ruptura em si mesma e às vezes por causa da perda de filhos, propriedades e relações sociais e amizades que a acompanham.
O que parece óbvio é que uma grande parte dos homens enfrentam as situações de sofrimento em suas vidas com menos ajuda do que as mulheres. Em primeiro lugar, porque eles não pedem ajuda para as pessoas próximas nem para os especialistas, uma vez que fazer isso significa para muitos admitir uma fraqueza humilhante. Supõe-se que o papel masculino implica não só estar no controle das circunstâncias de sua vida, mas saber disfarçar muito bem quando você não está. Há casos impressionantes de grupos de amigos muito próximos que são surpreendidos com o suicídio de um de seus membros, sabendo mais tarde que este carregou durante anos uma tragédia pessoal sem dar o menor sinal do que realmente sentia.
As mulheres, por outro lado, estão mais inclinadas a confiar e falar mais abertamente sobre seus sentimentos e problemas. Assim, as redes de apoio formal ou informal acabam se movimentando para aquelas que não hesitam em reconhecer-se como frágeis. Já o homem que precisa de ajuda não acredita que ele precise, ou se sente envergonhado de pedir, ou quando ele decide fazê-lo, acha que não vai encontrar profissionais especificamente preparados a intervir no seu problema.
A fraqueza geralmente se esconde na aparência da força. Talvez seja hora de admitir que o homem também precise de outro tipo de empoderamento.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.


 Texto original: Un débil sexo fuerte. José Maria Romera. http://www.diariosur.es/opinion/debil-sexo-fuerte-20171008003441-ntvo.html  


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

'Sou feia e perdedora', diz menina de 13 anos antes de cometer suicídio


Rosalie Avila era vítima de bullying na escola e nas redes sociais.
EUA - Vítima de abusos e bullying em sua escola na Califórnia, a adolescente Rosalie Ávila, de 13 anos, tirou a própria vida: "sou feia e perdedora", escreveu ela em um bilhete encontrado pelos pais depois da tragédia. Rosalie tentou se matar na terça-feira passada e, na sexta, teve sua morte cerebral declarada. Foi mantida conectada até ontem para que seus órgãos fossem doados, informou a imprensa local.
Rosalie Avila, de 13 anos, era vítima de bullying e se matou na semana passada. 
"Minha filha foi vítima de bullying", declarou sua mãe para um site. "Era uma pessoa bonita por dentro e fora, era uma grande artista, muito adorável e amada", completou.
Estudante do oitavo ano em uma escola pública em Calimesa (114 km ao leste de Los Angeles), Rosalie  deixou um bilhete de despedida para os pais: "me desculpem, pai e mãe. Eu amo vocês".
"Desculpe mãe, que você vá me encontrar assim", leu seu pai, Freddie Ávila, citado pelo site CBS.
Os pais contaram que a jovem, que sonhava em ser advogada, era agredida em redes sociais, além da escola: nesse dia, antes de tentar se matar, já havia sido alvo de piadas por causa do aparelho nos dentes.
"Guardou isso para si", desabafou o pai, na entrevista à NBC, acrescentando que "por dentro, ela ficava aos pedaços por sempre implicarem com ela".
Uma investigação está aberta para determinar se houve "bullying" na escola.
Ao todo, 5.900 menores, entre 10 e 24 anos, tiraram a própria vida nos Estados Unidos em 2015, segundo números oficiais.
Em nota, o distrito educacional de Yucaipa-Calimesa, ao qual pertencia a escola de Ensino Médio de Ávila, lamentou a morte de sua estudante. Vigílias também foram realizadas.
"Estamos comprometidos com manter uma cultura positiva e inclusiva que permita aos nossos estudantes crescer acadêmica e socialmente", acrescentou o texto.
O site governamental "Stop Bullying" indica que 28% dos estudantes nos Estados Unidos sofrem esse tipo de abuso entre o sexto e 11º ano, e 9%, agressão pelas redes sociais.
Em setembro, um adolescente matou um colega e feriu outros três em sua escola no estado de Washington, em mais um caso de "bullying".


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.

O texto original foi revisto para evitar a publicação do método usado, conforme orienta a OMS. 
 Texto original: http://odia.ig.com.br/mundoeciencia/2017-12-05/sou-feia-e-perdedora-diz-menina-de-13-anos-antes-de-cometer-suicidio.html