quarta-feira, 18 de abril de 2018

10 Coisas para Não Dizer a uma Pessoa com Intenção de Suicídio



"Eu quero me matar."
Essas quatro palavras provocam um choque quando são ditas, pois, é uma fala terrível para ser ouvida de um amigo ou membro da família que você gosta e não quer perder. Aí, você recua, impactado e assustado, sem saber o que fazer e pensa: como pode querer morrer?
Entretanto, por mais indesejáveis ​​que essas palavras sejam aos seus ouvidos, seu ente querido lhe deu um presente. Ele ou ela está dando uma abertura para você entrar. Ao dizer que eles querem morrer, eles estão lhe dando a oportunidade de ajudar.
Agora, preste bem atenção: o que você diz em seguida é muito importante. Repito, o que você diz em seguida pode levar seu amigo ou membro da família a deixá-lo entrar ainda mais – ou a fechar a porta. É compreensível que você se sinta perturbado, tomado de emoções, e  que tenha muitos pensamentos, alguns úteis, outros não.
Aqui estão 10 respostas comuns que podem desencorajar a pessoa a falar mais sobre o que está acontecendo. Primeiro, uma advertência: em geral, essas declarações podem transmitir julgamento e promover o distanciamento. Mas, dependendo do contexto, algumas pessoas podem responder positivamente a pelo menos algumas dessas respostas.
1.     “Como você pôde pensar em suicídio? Sua vida não é tão ruim assim. ”
Talvez, por fora, a vida de uma pessoa com intenção de suicídio não pareça “ tão ruim ”. Acontece que a dor está escondida. Aí, esse tipo de declaração transmite descrença e julgamento, não compreensão.
2.     “Você não sabe que eu ficaria arrasada se você se matasse? Como você pode pensar em me machucar assim? ”
De um modo geral a pessoa já se sente horrível e quase sempre muito culpada. Colocar mais culpa sobre seus ombros não vai ajudá-la a sentir-se aliviada ou acolhida em sua dor para contar ainda mais sobre como ela está.
3.     “O suicídio é um ato egoísta. ”
Isso provoca mais culpa. Dois pontos são importantes aqui. Um, muitas pessoas que consideram seriamente o suicídio, na verdade, pensam que estão sobrecarregando sua família mantendo-se vivas. Assim, em seu estado de espírito angustiado, talvez até mentalmente doente, estariam ajudando seus entes queridos, libertando-os desse fardo. Dois, a pessoa vivencia uma distorção em seus pensamentos e passa a julgar que a morte seja a melhor forma de livrar-se de uma dor ou de uma situação sem esperanças de solução.
4.     "O suicídio é covardia."
Isso provoca vergonha. Também não faz sentido. A maioria das pessoas tem medo da morte. Suicídio não se trata de ser valente ou corajoso.
5.     “Você não quiz dizer isso. Você realmente não quer morrer. ”
Muitas vezes a pessoa responde assim por ansiedade ou medo, mas estas afirmações desqualificam a dor do outro. Presuma que a pessoa realmente quer dizer que quer morrer. Faz mais mal desdenhar alguém que é verdadeiramente suicida do que levar alguém a sério que não é suicida, então por que não levar todos a sério?
6.     “Você tem muito ainda o que viver. ”
Em alguns contextos, esse tipo de declaração pode ser um lembrete reconfortante de oportunidades e esperança. Mas para muitas pessoas que pensam em suicídio e que sentem que está tudo acabado para elas, porque se encontram mergulhadas em profunda desesperança, essa observação pode transmitir uma profunda falta de compreensão.
7.     “As coisas poderiam ser bem piores. ”
Sim, as coisas poderiam ser piores, mas esse conhecimento não inspira alegria ou esperança. Eu o comparo a duas pessoas que são esfaqueadas, uma no peito e outra na perna. É muito pior ser esfaqueado no peito, mas isso não faz com que a dor desapareça para a pessoa esfaqueada na perna. Ainda dói. Muito. Assim, mesmo que as pessoas que pensam em suicídio tenham muitas coisas boas para viver, ou mesmo que suas vidas possam ser muito piores, elas ainda experimentam uma situação aparentemente intolerável que as faz querer morrer.
8.     “Outras pessoas têm problemas piores do que você e não querem morrer. ”
É verdade, mas isso pode ter o efeito de afundar a pessoa mais ainda na depressão. Compará-los a outros que lidam melhor com problemas ou que simplesmente têm a sorte de nunca ter pensamentos suicidas só pode piorar sua autocondenação.
9.     "O suicídio é uma solução permanente para um problema temporário.”
Eu conheço pessoas, especialmente adolescentes, para quem esta declaração foi tremendamente útil. Essa declaração dizia respeito aos problemas por que passavam. Mas também comunica que todos os problemas de todas as pessoas são temporários, quando podem ser tudo menos isso. Em tal situação, um objetivo realista para a pessoa pode ser aprender a lidar com seus problemas e  viver uma vida significativa, apesar deles. O outro problema com essa afirmação é que o suicídio passa a ser visto como uma solução. No mínimo, recomendo mudar a palavra “solução” para “agir” ou “ação”, simplesmente para evitar reforçar a impressão de que o suicídio realmente é uma solução e que resolve os problemas.
10.    "Você vai para o inferno se morrer por suicídio."
Muitos que já fizeram uma tentativa de suicídio pensaram, provavelmente, nessa possibilidade. Talvez eles concebam que o deus em quem acreditam perdoará seu suicídio. Outros, também talvez, nem acreditem no inferno.  Independentemente disso, sua dor e seu desejo de morrer permanece. Dizer-lhes que irão para o inferno pode provocar uma sensação de falta de empatia e incapacidade de compreensão.
É isso! São essas as 10 coisas para não dizer a uma pessoa com intenção de suicídio.
Veja, você pode ter qualquer um ou todos os pensamentos e emoções descritos acima, diante da afirmação de um amigo ou membro da família que diz querer morrer.  Isso não significa que você esteja errado ou seja uma má pessoa em ter essas reações. Afinal, você é humano. Você pode sentir raiva, mágoa, traição. Você não pode controlar os pensamentos e sentimentos que sente. 
Entretanto, você pode e deve controlar o que diz ou faz em resposta a seus pensamentos e sentimentos. Quando uma pessoa revela pensamentos suicidas para você, sua resposta em palavras e ações podem fazer uma profunda diferença na vida dessa pessoa.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.


Texto original: https://www.speakingofsuicide.com/2015/03/03/what-not-to-say/
 Texto livremente traduzido e adaptado.





domingo, 8 de abril de 2018

Por que 84 figuras masculinas estão de pé nas beiradas dos telhados de Londres?


Ao olharem para cima, as pessoas que transitavam no centro da cidade de Londres tiveram uma visão estranha e perturbadora: 84 homens, em pé silenciosamente nos telhados das torres de escritórios, como se estivessem prestes a pular para a morte.

Acontece que esses homens não são realmente humanos. São esculturas em tamanho natural, colocadas lá para chamar a atenção e aumentar a conscientização sobre o suicídio.
As esculturas foram instaladas como parte do Projeto 84, uma ideia tornada possível pelo artista de rua americano Mark Jenkins e pela Campaign Against Living Miserably, ou CALM, uma instituição de caridade focada na prevenção do suicídio, que ela diz ser o maior assassino de homens com menos de 45 anos no Reino Unido.
As esculturas representam os 84 homens que se suicidam, em média, todas as semanas no Reino Unido. CALM diz que três em cada quatro vítimas de suicídio são homens.
"Como sociedade, temos de superar barreiras e constrangimentos, temos que enfrentar esse problema terrível, discuti-lo e trabalhar ativamente para pará-lo", disse Simon Gunning, CEO da CALM.
As esculturas, todas com os rostos cobertos, foram empoleiradas nos telhados de vários prédios da ITV, a rede de televisão do Reino Unido. Elas permaneceram lá até o dia 1º de abril.
Jenkins, que é amplamente conhecido por colocar suas esculturas hiper-realistas em locais públicos, onde interage com os transeuntes, criou as figuras da fita adesiva.
Jenkins trabalhou com a colaboradora Sandra Fernandez para criá-las. Cada um das 84 esculturas representa um homem real que morreu por suicídio e suas histórias individuais são narradas no site do Projeto 84 .
O programa diário da ITV "This Morning " apresentou entrevistas com parentes e amigos dos 84 homens no centro do projeto.
"Apoiar essa campanha é investir na esperança, esperança de que, contando essas histórias, possamos entender melhor as complexidades do suicídio e lutar por uma mudança", disse Gunning.
O Projeto 84 também lançou uma petição on-line através da qual espera convencer o governo britânico a tomar medidas para melhorar a prevenção do suicídio e o apoio ao luto dos sobreviventes. 
Reação às esculturas no telhado têm sido principalmente positiva.
"É muito importante quebrar o estigma da saúde mental dos homens e fazer com que as pessoas saibam que não há problema em ter problemas", disse um observador no Twitter.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 188.

Texto original: . Here's why 84 male figures are standing on the edges of London rooftops By Mercedes Leguizamon and Brandon Griggs, CNN.

 Texto livremente traduzido e adaptado.




sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Namorado cria “pote de amor” para ajudar namorada que sofre de depressão

 
Depressão é difícil para todos os envolvidos. A pessoa que à sofre trava consigo uma luta diária para funcionar, e tem alguns dias que não consegue realmente avançar. Além disso, tende a se fechar, evitando contatos tão logo sente os efeitos da depressão. Dói ver um ente querido tão infeliz, e pode ser difícil simpatizar e entender uma pessoa que não pode responder às suas tentativas bem-intencionadas de ajudar. Para tentar ajudar a namorada com depressão a se sentir um pouco melhor em momentos de crise, um jovem teve uma ideia simples e criativa.
Usando nada mais do que um frasco, alguns palitinhos de picolé, marcadores coloridos e um pouco de papel, ele montou um “pote do amor” para a namorada usar quando sentir que precisa de uma mensagem positiva e de apoio em seu dia.
Bovadeez explicou a ideia assim:
"Cada "categoria" é codificada por cores, por exemplo, laranja são citações inspiradoras de poetas, figuras políticas, filósofos e humanistas de todas as épocas. Lembretes amarelos são palavras positivas para ajudá-la durante o dia, como "você é linda" e "está certo pedir ajuda", os roxos são dicas para ajudá-la a relaxar como "faça uma pausa" enquanto ela está trabalhando no seu mestrado ou "ouça sua música favorita". Eu coloquei também palitinhos em branco, para ela gravar alguma memória positiva neles, lembranças de momentos em que ela é mais feliz e então ela pode puxar um desses quando precisar. Esperamos que isso a ajude a recuperar o controle em alguns aspectos e para se dar um tempo e se concentrar mais em si mesma".
 Este gesto simples, mostrando à sua namorada que ele se importa e está sempre lá para ela no momento que ela precisar é uma ajuda poderosa para alguém com depressão. Muitas pessoas concordaram que essa abordagem seria muito apreciada e é um bom exemplo do tipo de suporte que é necessário.
Um usuário da Reddit tem uma namorada que luta com a depressão, e ele queria ajudar de alguma forma.

Então, ele teve uma ideia simples, porém brilhante, que envolveu um monte de palitinhos de picolé.

E que ele codificou usando canetas coloridas.

E colocou em um frasco para que sua namorada pudesse escolher. Cada cor é uma categoria.


Com citações, palavras positivas, dicas para relaxar e palitinhos em branco para que ela possa gravar momentos felizes.


As pessoas concordaram que este é um exemplo perfeito do tipo de apoio que uma pessoa com depressão pode apreciar.





Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.

Texto original: The Way That This Guy Handles His Girlfriend’s Crippling Depression Is Just Awesome.  https://www.boredpanda.com/popsicle-sticks-help-girlfriend-anxiety-depression/
 Texto livremente traduzido e adaptado.








segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Um frágil sexo forte

Se perguntarmos às pessoas sobre qual grupo humano pode ser identificado com a força e a capacidade de enfrentar problemas e superar os obstáculos, certamente a resposta da maioria seria de que esse grupo corresponde aos homens de meia idade, com estudos, uma boa situação profissional, que tenham as necessidades básicas resolvidas e bem situados na vida. Bem, a maioria estará errada, pois esse é o retrato típico do suicídio em nosso tempo.
As estatísticas são teimosas e não variam muito de ano para ano ou quando mudam de país. Com ligeiras variações, o número de homens entre 40 e 60 que tiram suas próprias vidas é três vezes maior ao das mulheres suicidas. Esses dados nos obrigam a perguntar qual tipo de problema está levando os homens a uma decisão que desmonta totalmente essa ideia do “homem, sexo forte".
A atenção desproporcional e quase exclusiva dada ao feminino nos estudos de gênero significou que fenômenos como esse, que afetam o homem de maneira especial, não têm sido suficientemente submetidos à investigação. Só temos aproximações, mais intuitivas do que com base em dados, que em geral enfatizam o peso dos papéis masculinos tradicionais: de acordo com essas hipóteses, o homem deve ser competitivo, buscar sucesso, exibir seus pontos fortes e esconder as suas fraquezas. O que o torna mais frágil em situações de derrota e frustração e mais vulneráveis ​​ao estresse e à ansiedade. Acrescente-se a isso a necessidade de fingir que está sempre bem mesmo quando tudo, emocionalmente, vai muito mal.
A compreensão do problema é difícil em vista de outras evidências constantes: embora os homens se suicidem muito mais do que as mulheres, os pensamentos suicidas são mais recorrentes nelas (algo não estranho, se levarmos em conta que também as taxas de doença mental são um pouco maiores nas mulheres). Alguns estudos acrescentam que mesmo as mulheres fazem mais tentativas do que os homens. Se assim for, devemos pensar que as diferenças não ocorrem tanto na resposta dramática às crises pessoais, mas nos métodos para resolver essas crises. Nesse sentido, as diferentes escolhas de acordo com o sexo mantêm as constantes clássicas. O homem, infelizmente, escolhe formas mais violentas de suicídio.
Existem, no entanto, alguns fenômenos tipicamente masculinos que agregam alguma lógica à essa disparidade no número de suicídios de homens e mulheres. Embora a escassez de estudos, algumas abordagens do fenômeno enfatizam alguns fatores, por exemplo a incidência de crises pessoais relativas ao trabalho. A perda de emprego, para o homem, reforçaria a enfraquecer sua autoestima e a tornar suas vidas sem significado. Há também indícios de que situações de separação e divórcio atingem os homens com maior força, às vezes por causa da ruptura em si mesma e às vezes por causa da perda de filhos, propriedades e relações sociais e amizades que a acompanham.
O que parece óbvio é que uma grande parte dos homens enfrentam as situações de sofrimento em suas vidas com menos ajuda do que as mulheres. Em primeiro lugar, porque eles não pedem ajuda para as pessoas próximas nem para os especialistas, uma vez que fazer isso significa para muitos admitir uma fraqueza humilhante. Supõe-se que o papel masculino implica não só estar no controle das circunstâncias de sua vida, mas saber disfarçar muito bem quando você não está. Há casos impressionantes de grupos de amigos muito próximos que são surpreendidos com o suicídio de um de seus membros, sabendo mais tarde que este carregou durante anos uma tragédia pessoal sem dar o menor sinal do que realmente sentia.
As mulheres, por outro lado, estão mais inclinadas a confiar e falar mais abertamente sobre seus sentimentos e problemas. Assim, as redes de apoio formal ou informal acabam se movimentando para aquelas que não hesitam em reconhecer-se como frágeis. Já o homem que precisa de ajuda não acredita que ele precise, ou se sente envergonhado de pedir, ou quando ele decide fazê-lo, acha que não vai encontrar profissionais especificamente preparados a intervir no seu problema.
A fraqueza geralmente se esconde na aparência da força. Talvez seja hora de admitir que o homem também precise de outro tipo de empoderamento.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.


 Texto original: Un débil sexo fuerte. José Maria Romera. http://www.diariosur.es/opinion/debil-sexo-fuerte-20171008003441-ntvo.html  


terça-feira, 5 de dezembro de 2017

'Sou feia e perdedora', diz menina de 13 anos antes de cometer suicídio


Rosalie Avila era vítima de bullying na escola e nas redes sociais.
EUA - Vítima de abusos e bullying em sua escola na Califórnia, a adolescente Rosalie Ávila, de 13 anos, tirou a própria vida: "sou feia e perdedora", escreveu ela em um bilhete encontrado pelos pais depois da tragédia. Rosalie tentou se matar na terça-feira passada e, na sexta, teve sua morte cerebral declarada. Foi mantida conectada até ontem para que seus órgãos fossem doados, informou a imprensa local.
Rosalie Avila, de 13 anos, era vítima de bullying e se matou na semana passada. 
"Minha filha foi vítima de bullying", declarou sua mãe para um site. "Era uma pessoa bonita por dentro e fora, era uma grande artista, muito adorável e amada", completou.
Estudante do oitavo ano em uma escola pública em Calimesa (114 km ao leste de Los Angeles), Rosalie  deixou um bilhete de despedida para os pais: "me desculpem, pai e mãe. Eu amo vocês".
"Desculpe mãe, que você vá me encontrar assim", leu seu pai, Freddie Ávila, citado pelo site CBS.
Os pais contaram que a jovem, que sonhava em ser advogada, era agredida em redes sociais, além da escola: nesse dia, antes de tentar se matar, já havia sido alvo de piadas por causa do aparelho nos dentes.
"Guardou isso para si", desabafou o pai, na entrevista à NBC, acrescentando que "por dentro, ela ficava aos pedaços por sempre implicarem com ela".
Uma investigação está aberta para determinar se houve "bullying" na escola.
Ao todo, 5.900 menores, entre 10 e 24 anos, tiraram a própria vida nos Estados Unidos em 2015, segundo números oficiais.
Em nota, o distrito educacional de Yucaipa-Calimesa, ao qual pertencia a escola de Ensino Médio de Ávila, lamentou a morte de sua estudante. Vigílias também foram realizadas.
"Estamos comprometidos com manter uma cultura positiva e inclusiva que permita aos nossos estudantes crescer acadêmica e socialmente", acrescentou o texto.
O site governamental "Stop Bullying" indica que 28% dos estudantes nos Estados Unidos sofrem esse tipo de abuso entre o sexto e 11º ano, e 9%, agressão pelas redes sociais.
Em setembro, um adolescente matou um colega e feriu outros três em sua escola no estado de Washington, em mais um caso de "bullying".


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.

O texto original foi revisto para evitar a publicação do método usado, conforme orienta a OMS. 
 Texto original: http://odia.ig.com.br/mundoeciencia/2017-12-05/sou-feia-e-perdedora-diz-menina-de-13-anos-antes-de-cometer-suicidio.html


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Um sacerdote deve ser processado por não revelar os pensamentos suicidas de um fiel?



A viúva de um homem que confiou a um sacerdote da cidade de Bruges, na Bélgica, sua intenção de se suicidar apresentou uma queixa-crime contra o padre.
O Ministério Público de Bruges entende que o padre seja, sim, processado por não ter comunicado o fato. Alexander Stroobandt, 57 anos, capelão em uma casa de repouso e administrador de um site que ajuda homens e mulheres em luto, alega segredo de confissão e acredita que ele fez de tudo para deter o homem que dirigiu-se a ele para pôr fim à própria vida.
"Nunca, pensei em chamar a polícia. Mantive o segredo da confissão. Meu interlocutor falou comigo em sigilo e me avisou que suas intenções eram sérias. Então fiz tudo o que pude para convencê-lo a não tomar uma decisão apressada".
Os fatos datam de 2015, quando um residente de 54 anos de idade da casa de repouso entrou em contato com o padre Stroobandt por telefone. Sofrendo de grave depressão, o homem deu a conhecer suas intenções de acabar com a vida. Para o padre, foi uma confissão. O fato de ter ocorrido através de uma chamada telefônica não altera nada a seus olhos. A conversa durou por volta de uma hora e o padre Stroobandt teria feito de tudo para demover seu interlocutor de seus pensamentos suicidas.
Sua viúva descobriu, na memória de seu telefone celular, uma série de SMS que destacavam as ligações entre seu falecido marido e o padre. "O padre sabia o nosso endereço, ele poderia ter alertado a polícia, mas ele não fez nada. Quando entrei em contato com ele, ele se escondeu atrás do segredo da confissão e me disse que tinha feito de tudo para convencer meu marido a não se suicidar. Mas o segredo da profissão é tão santificado a ponto de colocar um ser humano em perigo? Eu não entendo assim." Na verdade, a viúva contratou um advogado e decidiu apresentar uma queixa. Ela não procura a condenação do padre, mas quer que tal atitude não possa ser repetida em outras ocasiões.
O sacerdote continua convencido de seu direito e acredita que, se o segredo da confissão for atacado, a relação de confiança entre um clérigo e a pessoa que confia nele se tornará impossível.
Mas o segredo da confissão deve ser mesmo absoluto? É certo que o Código de Ética de várias profissões determina que os médicos, psicólogos, etc., e todos os outros depositários, por estado ou profissão, dos segredos que lhes são confiados (não é o caso, para esses profissionais de relatos sobre suicídio) serão punidos até mesmo com a cassação de seu registro profissional se revelarem esses segredos, exceto nos casos em que são chamados a testemunhar num tribunal ou quando a lei obriga-os a dar a conhecer esses segredos.
Mas o segredo da confissão não é absoluto. Nenhum profissional pode se colocar atrás de um segredo se um valor maior está em jogo, por exemplo o respeito pela vida. O sacerdote, recebendo a confissão de seus fiéis, o advogado, recebendo a confissão de seus clientes, o médico, recebendo as confidências de seus pacientes, estão isentos de invocar segredo profissional se está em jogo a violação de um valor maior.

“O segredo da profissão é tão santificado a ponto de colocar um ser humano em perigo? Eu não entendo assim." Para a Igreja e o sacramento da confissão, fica a questão.


Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste texto, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141.


Texto original:  Un prêtre poursuivi pour ne pas avoir révélé les pensées suicidaires d'un fidèle. Jean- Claude  Matgen /http://www.lalibre.be/actu/belgique/un-pretre-poursuivi-pour-ne-pas-avoir-revele-les-pensees-suicidaires-d-un-fidele-5a0ae0e7cd70fa5a063b9ccb

Texto livremente traduzido e adaptado.



quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Transtornos Mentais


Adriano Facioli
Geralmente não basta saber qual é o nome do transtorno mental que você tem.
É muito comum as pessoas que estão passando por um período muito difícil em sua vida, com sofrimento psicológico significativo, que nunca procuraram por ajuda profissional em saúde mental, imaginarem que boa parte ou todo seu sofrimento irá se resolver quando souberem qual é o nome do transtorno mental que têm.
Pensam que nessa área as coisas ocorrem da mesma forma que em qualquer outro tipo de tratamento médico, de saúde. Imaginam que irão a um profissional de saúde mental, geralmente o psiquiatra, e que em uma única consulta ele irá fazer o diagnóstico, prescrever os medicamentos, e que a partir daí tudo irá se resolver rapidamente.
Não, não é assim. Psiquiatras trabalham com hipóteses diagnósticas, as quais terão de ser constantemente reavaliadas. Após a primeira consulta o paciente terá de ser constantemente reavaliado, para ir aos poucos se consolidando um possível diagnóstico do que tem.
E sair do consultório com a prescrição de alguns medicamentos geralmente não é a solução. Geralmente é necessário um acompanhamento psicológico.
Os medicamentos psiquiátricos têm função remediativa, de alívio de sintomas. Não atuam nas causas, nos determinantes dos transtornos mentais. Por si só não curam, não produzem a recuperação, a reabilitação da pessoa que está sofrendo.
Para haver recuperação é necessário um processo de investigação que almeje descobrir, em boa medida, quais são os determinantes do sofrimento da pessoa em questão. E esses determinantes, predominantemente e de modo geral, estão na vida da pessoa, em como ela está vivendo, em quais estimulações sofre, em como estão se dando suas interações com o mundo e com outras pessoas.
Esta investigação, portanto, deve se atentar para fatores tais como, por exemplo: dieta, regime de sono e vigília, postura e expressão corporal, rotina de exercícios físicos e a complexidade das interações com outras pessoas. Uma psicoterapia, ou um processo de orientação psicológica minimamente eficaz, irá se atentar para esses e outros possíveis fatores.

Se você ou alguém que você conhece está lutando com as questões abordadas neste blog, por favor, procure a ajuda profissional de um psicólogo ou psiquiatra e ligue para o número do CVV: 141 ou 188.

Texto original de autoria de Adriano Facioli publicado em 17 de outubro às 18:37.  https://www.facebook.com/adriano.facioli